Espanha põe 1,17 milhão de pedidos migratórios no centro da disputa eleitoral
O programa recebeu 1.174.978 solicitações; o Vox defende rever a política antes das eleições gerais de 29 de novembro.
Redação ·
A proposta de regularização migratória do governo de Pedro Sánchez virou um dos temas da campanha espanhola. Em 29 de outubro, o Vox, partido liderado por Santiago Abascal, defendeu rever a medida que recebeu 1.174.978 solicitações, enquanto a Espanha se prepara para eleições gerais antecipadas em 29 de novembro. O número corresponde a pedidos, não a autorizações já concedidas em massa.
O que está em jogo
O programa extraordinário foi criado pelo governo em abril de 2026. Ele abriu um caminho para que pessoas migrantes que já estavam na Espanha antes de 1º de janeiro daquele ano solicitassem autorização de residência e trabalho, desde que cumprissem os requisitos previstos. O prazo para apresentar pedidos terminou em 30 de junho.
A dimensão da procura superou a estimativa inicial do governo, que esperava cerca de 500 mil solicitações. Ainda assim, não dá para tratar os quase 1,2 milhão de pedidos como um total de pessoas que já receberam documentos: cada solicitação depende de análise e decisão administrativa.
A reportagem que trouxe a posição do Vox menciona um requisito de cinco meses de residência. Como há informação oficial consultada com critérios descritos de outra forma, é mais seguro não tomar esse detalhe como regra universal sem conferir o caso concreto. O ponto confirmado é que a medida tem condições próprias e não concede regularização automática a todos os solicitantes.
Uma promessa política, não uma reversão já feita
Abascal afirmou que seu partido quer desfazer decisões do governo socialista e defende a expulsão de estrangeiros que tenham entrado irregularmente ou cometido crimes. O Vox também sustenta uma política chamada “remigração”, que propõe a saída de pessoas que considera sem condições de integração, inclusive alguns residentes legais dependentes de assistência pública.
Até aqui, porém, a posição descrita é uma exigência política para negociações, não uma decisão que tenha cancelado autorizações ou interrompido processos. Também não há, nas informações consultadas, um plano legislativo completo com regras para revisar cada caso. Mudar a política pode significar coisas diferentes: alterar critérios futuros, interromper pedidos pendentes ou tentar revogar permissões já concedidas. Cada caminho teria consequências jurídicas próprias.
O debate ganhou peso porque uma eventual maioria de direita pode depender do Vox. Pesquisas divulgadas nesta semana colocam a legenda perto de 19% das intenções de voto e indicam que o Partido Popular (PP), de Alberto Núñez Feijóo, e o Vox poderiam somar maioria parlamentar. São projeções, não resultados: a composição do Parlamento só será conhecida depois da votação.
Por que o assunto chegou à campanha
Sánchez antecipou as eleições, inicialmente previstas para 2027, em meio a dificuldades para aprovar medidas no Parlamento e a disputas sobre habitação, além de denúncias de corrupção envolvendo pessoas ligadas ao governo. Nesse cenário, imigração e acesso a serviços públicos viraram temas de confronto entre os partidos.
O Vox argumenta que o aumento da população estrangeira pressiona moradia, saúde e outros serviços. Essa é a justificativa política da legenda; não prova, por si só, que a regularização tenha causado esses problemas. Já o governo apresentou o programa como uma via para regularizar pessoas que vivem no país e permitir que trabalhem legalmente.
Há ainda uma dimensão europeia: a Comissão Europeia abriu uma análise sobre a compatibilidade da medida espanhola com as regras da União Europeia, segundo a imprensa espanhola. Isso não equivale a uma decisão de que o programa é ilegal nem o invalida automaticamente.
O que pode mudar dependerá do resultado das urnas e de acordos parlamentares posteriores. Por enquanto, a disputa é sobre uma política em vigor e sobre as condições para alterá-la — não sobre uma reversão já executada.
Quer se aprofundar nesta notícia? Leia mais sobre ela abaixo:
- https://www.gazetadopovo.com.br/mundo/direita-quer-reverter-regularizacao-de-imigrantes-feita-por-governo-socialista-na-espanha/
- https://www.inclusion.gob.es/regularizacion
- https://www.expansion.com/economia/politica/2026/10/28/bruselas-abre-expediente-espana-regularizacion-extraordinaria.html?intcmp=NOT002
- https://www.antena3.com/noticias/espana/asi-van-sondeos-encuestas-electorales-elecciones-generales-29n_202610276ae04c06c0483453480ae231.html