Espaço Smart aposta em escala industrial para ampliar obras fora da alvenaria
Com 50 lojas, quatro fábricas e cinco centros de distribuição, empresa fundada em Ponta Grossa registrou R$ 550 milhões no primeiro semestre de 2026.
Redação ·
A Espaço Smart registrou R$ 550 milhões em faturamento no primeiro semestre de 2026 e pretende fechar o ano com R$ 1 bilhão, segundo informações divulgadas nesta terça-feira, 27 de outubro. Fundada em Ponta Grossa, no Paraná, a empresa atua em diferentes etapas da construção industrializada, da venda de materiais à execução de projetos.
A expansão ajuda a mostrar como sistemas alternativos à alvenaria tradicional buscam ganhar espaço no país. Mas o crescimento de uma empresa não significa, por si só, que a construção a seco já se tornou padrão: custo, disponibilidade de mão de obra e planejamento continuam decisivos para cada obra.
Uma operação que vai além da venda de materiais
A Espaço Smart informa que mantém mais de 50 lojas no Brasil e no Paraguai, quatro unidades fabris e cinco centros de distribuição. A estrutura inclui ainda uma equipe de arquitetura e engenharia dedicada ao steel framing e a SMARTCOM, unidade que executa obras corporativas.
Esse modelo integrado permite à companhia atender etapas que normalmente ficam distribuídas entre fornecedores, projetistas e construtoras. Para o cliente, a promessa é coordenar materiais, projeto e montagem; para a empresa, a rede de unidades e logística é parte central da estratégia de crescimento.
A companhia também diz ter contratado mais de 280 pessoas no primeiro semestre. A ampliação da equipe e da capacidade operacional acompanha o avanço das vendas, mas exige formação profissional e controle de qualidade para que componentes industrializados sejam instalados conforme o projeto.
O que muda com a construção a seco
No steel framing, perfis de aço galvanizado formam a estrutura da edificação, combinada com placas e camadas de isolamento. O sistema reduz o uso de tijolos e argamassa em determinadas etapas e desloca parte do trabalho do canteiro para a fabricação e a montagem de componentes.
Essa lógica pode tornar a execução mais previsível e diminuir resíduos, desde que o projeto, a entrega dos materiais e a mão de obra estejam bem coordenados. Não é uma solução automaticamente mais barata em qualquer situação: o resultado depende da escala, do desenho da obra, da logística e da experiência das equipes.
O interesse também envolve desempenho e uso de recursos. Em material institucional divulgado pela FEICON, a empresa atribui ao sistema reduções de resíduos e emissões e economia de água. São indicadores apresentados pela própria companhia, não uma avaliação independente detalhada na publicação; por isso, devem ser lidos como alegações empresariais.
Financiamento e qualificação profissional
Para tentar reduzir barreiras de entrada, a Espaço Smart oferece o Smart Crédito, voltado a compras de materiais e projetos residenciais. A empresa informa que há parcelamento de até 60 vezes para materiais e 240 vezes para casas, condições que podem facilitar o acesso, mas também tornam importante comparar custos totais e regras do financiamento.
A formação de trabalhadores é outro ponto relevante para a adoção do sistema. A companhia promove treinamentos em Light Steel Framing e mantém parceria com o SENAI. Sem profissionais preparados para projetar e montar corretamente as estruturas, a industrialização não se converte necessariamente em velocidade ou qualidade na entrega.
Em Ponta Grossa, a SmartLand reúne fábrica, casas-modelo e espaços de treinamento em uma área de cerca de 55 mil metros quadrados, segundo a empresa. A iniciativa funciona como vitrine e ambiente de capacitação, aproximando clientes e profissionais das técnicas que a companhia comercializa.
Projeção exige atenção aos números
A meta de faturamento requer cautela na leitura: a matéria informa R$ 1 bilhão para o fechamento de 2026, enquanto a chamada da imagem que acompanha a página menciona R$ 1,2 bilhão. Uma reportagem da Exame também registra uma projeção de R$ 1,2 bilhão, além de números de 2025 que não são diretamente comparáveis sem esclarecer a métrica contábil usada.
A diferença reforça que faturamento, receita líquida e períodos de apuração não devem ser tratados como sinônimos. Para o setor, o dado mais amplo é a tentativa de ampliar a construção industrializada com investimento em lojas, fábricas, crédito e capacitação. O efeito para quem vai construir dependerá de a oferta crescer junto com a disponibilidade de profissionais e de projetos adequados.
Quer se aprofundar nesta notícia? Leia mais sobre ela abaixo:
- https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/parana-sa/construcao-a-seco-espaco-smart/
- https://exame.com/negocios/com-esta-empresa-de-construcao-vai-faturar-r12-bilhao-sem-usar-cimento-e-tijolo/
- https://www.feicon.com.br/pt-br/Imprensa/releases-do-evento/empresas-com-solucoes-e-processos-sustentaveis-ganharam-destaque.html
- https://g1.globo.com/go/goias/especial-publicitario/plack/noticia/2026/10/20/construcao-a-seco-41percent-das-empresas-utilizam-o-sistema-industrializado-nas-obras.ghtml