Ericsson calcula que antenas atualizadas podem elevar em 50% a capacidade das redes

Ericsson calcula que antenas atualizadas podem elevar em 50% a capacidade das redes

Em apresentação na América Latina, a empresa afirmou que 60% dos equipamentos da região têm sete anos; os ganhos dependem das condições de cada rede.

Redação ·

A infraestrutura móvel que já está de pé pode ser parte da solução para o avanço do 5G na América Latina. Em apresentação no Mobile Time Live, realizada na região em 29 de outubro, a Ericsson afirmou que a modernização das antenas poderia aumentar em até 50% a capacidade de tráfego das redes. A empresa também estima que 60% das antenas latino-americanas têm sete anos de uso.

Os números ajudam a dimensionar o desafio: ampliar o 5G não depende apenas de liberar frequências ou instalar novas estações. As operadoras também precisam atualizar equipamentos existentes para lidar com mais dados, melhorar a cobertura e controlar os custos de operação.

O que a troca pode melhorar

Além do ganho potencial de capacidade, a Ericsson atribui à atualização das antenas a possibilidade de elevar o desempenho da rede em até 30% e ampliar a cobertura em até 36%. São estimativas apresentadas pela própria fabricante, não resultados garantidos para toda operadora ou para todos os mercados.

A empresa não detalhou, na apresentação reportada, a metodologia usada para chegar aos percentuais, nem se os três ganhos podem ocorrer juntos. O resultado de cada projeto tende a depender do estado da rede, da demanda local, das frequências disponíveis e do tipo de equipamento substituído. Por isso, os números funcionam como potencial técnico, não como promessa de melhoria uniforme para os usuários.

A expansão regional segue em ritmos diferentes

A Ericsson estimou que a cobertura 5G na América Latina estava em cerca de 30% em junho de 2025. Já a GSMA registrou que, no fim de 2024, 32 operadoras de 13 países ofereciam serviços comerciais de quinta geração. São indicadores diferentes: cobertura mede a disponibilidade do sinal em determinada área ou população; adoção representa a parcela de conexões que efetivamente usa a tecnologia.

A GSMA projeta que o 5G responda por cerca de um quarto das conexões móveis da região em 2027 e ultrapasse 50% até 2030. A previsão indica espaço para crescimento, mas também reforça que o ritmo não será igual em todos os países. Brasil e Chile, por exemplo, estão entre os mercados que avançam na conversão de faixas de frequência usadas pelo 4G para o 5G — um processo conhecido como refarming.

Mais dados, energia e infraestrutura

A Ericsson relacionou a necessidade de modernização ao aumento do tráfego e à chegada de serviços com inteligência artificial. Na apresentação, a companhia disse que 43% dos usuários utilizam IA nos celulares, mas não informou detalhes metodológicos que permitam tratar esse percentual como uma medida representativa de toda a América Latina.

Antenas mais recentes também podem ajudar a reduzir o consumo de energia por gigabyte transmitido, segundo a empresa. Isso importa porque energia e manutenção pesam nos custos das operadoras. Ainda assim, uma rede mais eficiente por unidade de tráfego não necessariamente consome menos no total: se o volume de dados crescer, o gasto agregado pode continuar subindo.

A evolução para o 5G Standalone, que usa um núcleo de rede próprio em vez de depender da estrutura 4G, é outro passo citado no debate. Para que essa arquitetura entregue uma experiência consistente, porém, é preciso combinar cobertura, infraestrutura atualizada e investimento. Na prática, a idade das antenas é apenas uma peça da conta — e cada operadora terá de avaliar onde a renovação traz retorno antes de expandir o gasto.

Quer se aprofundar nesta notícia? Leia mais sobre ela abaixo:

  1. https://www.mobiletime.com.br/noticias/30/10/2026/ericsson-antenas-am-lat/
  2. https://www.gsma.com/solutions-and-impact/connectivity-for-good/mobile-economy/wp-content/uploads/2025/05/GSMA_Latam_ME2025_R_Web.pdf
  3. https://www.ericsson.com/49da27/assets/local/reports-papers/mobility-report/documents/2025/ericsson-mobility-report-june-2025.pdf