Eleições de 2027 dependem de mudanças nas instituições, diz María Corina Machado
Em coletiva em Caracas em 29 de outubro, a opositora pediu a libertação de presos políticos e a renovação do Tribunal Supremo de Justiça.
Redação ·
María Corina Machado voltou a colocar as instituições no centro do debate sobre a transição venezuelana. Em coletiva realizada em Caracas na quinta-feira, 29 de outubro, a líder opositora disse que a realização de eleições em 2027 precisa vir acompanhada de mudanças no sistema político e judicial. Para ela, a permanência de integrantes do chavismo em postos estratégicos mantém ativa a estrutura de perseguição que marcou os últimos anos.
A fala ocorreu poucos dias depois do retorno de Machado ao país, em 25 de outubro, após quase um ano fora. Foi sua primeira coletiva desde a volta. Em vez de tratar a eleição como solução isolada, ela defendeu uma transição que inclua garantias para a oposição e a libertação de presos políticos.
O que Machado cobra antes da votação
Entre as propostas apresentadas estão renovar o Tribunal Supremo de Justiça e criar uma comissão da verdade para apurar violações de direitos humanos e encaminhar reparações às vítimas. Machado também apontou como prioridade a libertação de presos políticos civis e militares. São demandas que, na visão da oposição, ajudam a reduzir o risco de que a disputa eleitoral aconteça sob as mesmas condições institucionais que ela contesta.
A opositora afirmou que o aparato de repressão continua funcionando, apesar das mudanças ocorridas desde a captura de Nicolás Maduro, em janeiro. A declaração expressa a avaliação política de Machado; os relatos consultados confirmam que ela fez a denúncia, mas não apresentam uma verificação independente e completa de cada acusação. Essa distinção importa: a coletiva registra a posição da oposição, não uma auditoria das instituições venezuelanas.
Promessas do governo interino ainda sem calendário
A líder interina Delcy Rodríguez prometeu reformas judiciais e novas eleições, além de defender medidas para reconstruir a confiança nas instituições. Até a publicação desta reportagem, porém, não havia uma data definida para a votação, segundo as informações divulgadas sobre o pronunciamento. Machado questiona se promessas de mudança serão suficientes enquanto integrantes do antigo governo mantiverem influência sobre órgãos do Estado.
O contraste entre os discursos deixa em aberto questões práticas: quem conduzirá a eleição, quais garantias terão os partidos e como será fiscalizada a votação. A ausência de um cronograma público dificulta avaliar quando e de que forma as promessas poderão virar medidas concretas.
A oposição tenta ampliar sua base
Machado disse que pretende percorrer o país para reorganizar a oposição e trabalhar para ampliar o registro eleitoral de venezuelanos que vivem no exterior. Esse grupo pode ser relevante numa eleição futura, mas o anúncio não detalha quantas pessoas poderiam se registrar nem quais mudanças administrativas seriam necessárias. Também não define quando a campanha de mobilização começará.
O retorno de Machado já havia levado apoiadores às ruas, segundo relatos publicados nos dias anteriores à coletiva. Ainda assim, manifestações e declarações não resolvem o impasse institucional. O próximo teste será saber se as promessas do governo interino ganham calendário e mecanismos de fiscalização, e se a oposição terá condições de participar em igualdade de condições.
Por enquanto, 2027 aparece como horizonte defendido por Machado, não como data oficial confirmada para uma eleição. O debate venezuelano, portanto, não se limita a quando haverá votação: passa também por quem controla as instituições e quais garantias serão estabelecidas antes de os eleitores serem chamados às urnas.
Quer se aprofundar nesta notícia? Leia mais sobre ela abaixo:
- https://www.gazetadopovo.com.br/mundo/maria-corina-machado-denuncia-persistencia-da-repressao-chavista-na-venezuela/
- https://www.dnoticias.pt/2026/10/29/510932-mari-corina-descarta-contactos-com-delcy-rodriguez-e-prioriza-libertacao-de-presos-politicos/
- https://edition.cnn.com/2026/10/29/americas/machado-presser-venezuela-latam-intl
- https://observador.pt/2026/10/29/maria-corina-machado-assegura-que-transicao-na-venezuela-e-irreversivel-e-agradece-apoio-decisivo-dos-eua/
- https://english.elpais.com/international/2026-10-26/the-opposition-returns-to-the-streets-in-venezuela-after-maria-corina-machados-return-shes-coming-to-step-on-the-accelerator.html