Dynamo destaca o valor do conhecimento que não cabe em planilhas

Dynamo destaca o valor do conhecimento que não cabe em planilhas

No mercado secundário, relógios da Patek Philippe subiram 12,1% em um ano, enquanto a alta da Rolex foi de 4,6%, segundo índices citados pela Knight Frank.

Redação ·

A inteligência artificial consegue acelerar tarefas digitais e repetir processos em grande escala. Mas a confiança construída entre pessoas — e o conhecimento que circula numa rede de fornecedores, vendedores e clientes — não se transfere para uma planilha com a mesma facilidade. Essa é a ideia que a Dynamo coloca no centro de sua Carta 130, publicada em 2025, e que ganha um exemplo concreto na alta relojoaria.

A discussão voltou ao radar com uma análise publicada pelo Brazil Journal neste domingo, 1º de novembro de 2026. O texto relaciona negócios baseados em experiência e relações humanas à expansão da IA generativa, e usa relógios de luxo para mostrar como reputação, autenticidade e habilidade artesanal podem influenciar a atividade de um mercado.

O valor está na rede, não só no produto

Na apresentação da Carta 130, a Dynamo descreve os negócios relacionais como operações que dependem de rotinas tácitas, confiança e reciprocidade. Em vez de processos totalmente documentados, parte do conhecimento fica com quem produz, negocia e reconhece a qualidade de um item. É uma vantagem que pode levar anos para ser construída — e pode se perder se a relação com clientes e parceiros for mal administrada.

A relojoaria de alto padrão ajuda a visualizar essa dinâmica. A produção artesanal limita o volume de algumas peças; a distribuição de modelos disputados depende do relacionamento com marcas e revendedores; e uma compra de segunda mão exige confiança na autenticidade, na conservação e na procedência do relógio. Documentação, caixa original e histórico de manutenção podem fazer diferença na avaliação de uma peça específica.

Isso não quer dizer que qualquer relógio caro preserve valor. A Goldman Sachs, em um guia publicado em setembro de 2026 sobre joias e relógios de luxo, alerta que marca conhecida, sozinha, não transforma um item em colecionável de investimento. O potencial depende de fatores como raridade, relevância histórica, qualidade de execução, conservação, autenticidade e interesse do mercado — e o preço também pode cair.

Um mercado em recuperação, mas seletivo

Os números recentes ajudam a entender por que o tema interessa a colecionadores e investidores. A Knight Frank informou que o índice WatchCharts Overall Market subiu 5,1% no período de um ano considerado em sua análise de 2026. No mesmo recorte, o índice secundário da Rolex avançou 4,6%, enquanto o da Patek Philippe cresceu 12,1%. O desempenho não foi uniforme: os resultados das duas marcas mais fortes esconderam fraqueza em outras partes do mercado.

O dado, portanto, não funciona como promessa de valorização para qualquer compra. Índices agregam referências e movimentos distintos; um modelo específico pode ter comportamento diferente. A própria análise da Knight Frank descreve compradores mais seletivos, atentos à raridade e ao valor, após anos de queda em várias classes de colecionáveis de luxo.

Colecionar também exige organização

Para quem já tem peças ou pensa em comprar, o lado prático vai além de escolher um modelo. O guia da Goldman Sachs recomenda manter inventário e documentação, revisar avaliações e checar se o seguro cobre o valor real dos itens — sobretudo em viagens. Em relógios, substituir componentes originais durante uma revisão sem autorização pode afetar a conservação e, em certos casos, o interesse de colecionadores.

A sucessão também entra na conta: peças podem ter valor afetivo além do preço de mercado, e deixar registros claros ajuda familiares a decidir o que guardar ou vender. A mensagem conjunta desses exemplos é menos sobre apostar em relógios como investimento e mais sobre reconhecer o valor de atividades difíceis de replicar. Num ambiente em que a automação torna muitos serviços digitais mais rápidos e baratos, confiança, procedência e trabalho artesanal continuam dependendo de relações humanas — e de uma avaliação cuidadosa, peça por peça.

Quer se aprofundar nesta notícia? Leia mais sobre ela abaixo:

  1. https://braziljournal.com/item-de-colecionador-o-que-a-ai-nao-produz
  2. https://www.dynamo.com.br/carta-130-o-tacito-do-tempo/
  3. https://pwm.gs.com/nam/en-us/insights/wealth-planning/legacy-planning/beyond-the-sparkle-a-guide-to-buying-and-collecting-luxury-jewelry-and-watches
  4. https://www.knightfrank.com/research/article/2026/4/knight-frank-luxury-investment-index-luxury-holds-steady