Cristiano Zanin amplia até 19h o impasse operacional com o TSE
Martin De Luca, ligado à Trump Media e à Rumble, contestou a medida; urnas já encerradas não poderiam ser reabertas, segundo esclarecimento do ministro.
Redação ·
A decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), de permitir que a votação do segundo turno se estendesse até as 19h neste domingo, 25 de outubro, abriu uma disputa sobre como aplicar a medida em seções que já haviam encerrado os trabalhos. A iniciativa, motivada por dificuldades de transporte relatadas em algumas localidades, também recebeu críticas públicas do advogado Martin De Luca, ligado à Trump Media e à plataforma Rumble.
O episódio importa porque envolveu, no próprio dia da eleição, a coordenação entre o STF e a Justiça Eleitoral e a possibilidade de eleitores ainda conseguirem votar. Ao mesmo tempo, a extensão não significava que todas as urnas poderiam ser reativadas: Zanin esclareceu que a regra se destinava às que permaneciam abertas.
O alcance prático da decisão
A determinação fixou a possibilidade de recebimento de votos até as 19h, no horário de Brasília. A medida foi associada a dificuldades de deslocamento que poderiam impedir eleitores de chegar às seções dentro do período inicialmente previsto. Os relatos mencionados na cobertura incluíram problemas de transporte, chuva, alagamentos e interdições em alguns pontos.
O esclarecimento posterior delimitou a execução: seções que ainda não tinham fechado poderiam continuar recebendo eleitores; urnas já encerradas não deveriam ser reabertas, e os votos registrados nelas seriam computados normalmente. Essa distinção foi central para a operação, pois uma prorrogação nacional anunciada durante a votação precisava ser aplicada sem desfazer etapas já concluídas.
A coordenação entre os tribunais
A decisão de um ministro do STF em meio à votação levou integrantes do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a discutir como operacionalizar a extensão. A reunião relatada naquele domingo refletiu a necessidade de alinhar orientações para locais em situações diferentes — desde seções ainda abertas até aquelas cujo procedimento de encerramento já havia começado.
Havia também um pedido apresentado pela campanha de Flávio Bolsonaro para prorrogar a votação em 17 municípios de São Paulo, Paraná e Santa Catarina. A decisão de Zanin, conforme os relatos consultados, estabeleceu uma extensão para urnas ainda abertas, em vez de autorizar a reabertura das já fechadas. A diferença entre o pedido localizado e o alcance da ordem tornou ainda mais importante esclarecer sua aplicação.
Críticas de Martin De Luca
Martin De Luca, que representa a Trump Media e a Rumble, contestou a rapidez e o caminho institucional da medida. Ele questionou a intervenção antes de uma decisão prévia do TSE e levantou suspeitas sobre o processo eleitoral. As publicações reportadas não apresentaram evidências que comprovassem essas alegações; por isso, elas devem ser entendidas como críticas do advogado, não como constatações de irregularidade.
A discussão ganhou dimensão política também porque Zanin atuou anteriormente como advogado de Luiz Inácio Lula da Silva, antes de chegar ao STF. Esse histórico foi invocado por críticos, mas, por si só, não demonstra que a decisão tenha sido irregular. O ponto verificável no episódio é a controvérsia sobre competência, procedimento e execução da prorrogação.
O que fica para a apuração do episódio
Para os eleitores, a consequência imediata dependia da situação da seção: a extensão beneficiava quem ainda encontrasse a urna aberta, sem reabrir locais já encerrados. Para a Justiça Eleitoral, o desafio era garantir aplicação uniforme e registrar os votos conforme as orientações divulgadas durante o dia.
O caso também deixa em evidência a sensibilidade de decisões operacionais tomadas durante uma eleição. A avaliação dos efeitos exige distinguir a crítica política de fatos comprovados e observar como as autoridades eleitorais aplicaram a ordem. A extensão do horário, isoladamente, não confirma as acusações feitas por De Luca nem permite concluir que houve manipulação.
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- https://www.gazetadopovo.com.br/eleicoes/2026/advogado-de-trump-questiona-decisao-de-zanin-sobre-horario-de-votacao-no-brasil/
- https://www.gp1.com.br/eleicoes-2026/noticia/2026/10/25/advogado-de-trump-questiona-eleicao-brasileira-apos-zanin-ampliar-horario-de-votacao-ate-as-19h-634817.html
- https://oglobo.globo.com/google/amp/politica/eleicoes-2026/noticia/2026/10/25/zanin-diz-que-decisao-sobre-prorrogacao-do-horario-de-votacao-para-19h-vale-para-urnas-que-nao-foram-fechadas.ghtml
- https://odia.ig.com.br/eleicoes/2026/10/7316068-ministros-do-tse-se-reunem-as-portas-fechadas-apos-decisao-de-zanin.html
- https://exame.com/mundo/advogado-de-trump-critica-stf-por-prorrogar-votacao-no-brasil-manipulacao-descarada/