Crise das turfeiras na Indonésia leva famílias vulneráveis ao limite e afeta Singapura
O PSI chegou a 225 em Singapura em 16 de outubro, enquanto comunidades de Kalimantan enfrentavam casas destruídas e escolas fechadas pela fumaça.
Redação ·
A fumaça dos incêndios em florestas e turfeiras da Indonésia atravessou fronteiras e agravou a poluição em Singapura durante outubro, enquanto comunidades pobres de Kalimantan lidavam com casas danificadas e interrupções na rotina. Em 16 de outubro, o índice PSI de 24 horas na região central de Singapura marcou 225, faixa considerada muito insalubre. A crise combina riscos à saúde em centros urbanos com perdas materiais e menor acesso à educação nas áreas próximas aos focos de fogo.
Uma crise ambiental que atravessa fronteiras
Os incêndios em áreas de Sumatra e Kalimantan liberaram fumaça que alcançou países vizinhos. Em Singapura, as medições pioraram em meados do mês: no dia 14, a concentração horária de partículas finas PM2,5 chegou a 284 microgramas por metro cúbico no oeste da ilha, o maior registro do ano até então. Dois dias depois, a sequência de dias com ar insalubre chegava a 12, a mais longa desde 2015.
As partículas PM2,5 são pequenas o bastante para penetrar profundamente nos pulmões. A exposição preocupa especialmente crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças respiratórias ou cardiovasculares. A intensidade da poluição varia com o vento e as condições meteorológicas, por isso uma melhora momentânea não significa necessariamente que a fumaça deixou de representar risco.
Quem tem menos alternativas enfrenta mais riscos
O impacto não é igual para todos. Em Singapura, pessoas que podem trabalhar de casa têm mais facilidade para reduzir a exposição do que quem depende de atividades presenciais. Famílias com crianças também precisam conciliar os alertas de saúde com a rotina de cuidado e trabalho. Autoridades distribuíram máscaras para grupos considerados vulneráveis e anunciaram apoio a despesas médicas relacionadas à névoa.
Nas comunidades indonésias próximas às queimadas, a vulnerabilidade é ainda mais direta. Relatos de outubro descrevem famílias pobres que perderam moradias e escolas que permaneceram fechadas por semanas em áreas afetadas. A fumaça dificulta atividades cotidianas e o trabalho ao ar livre, justamente quando muitas famílias têm menos recursos para se afastar dos focos ou buscar abrigo em outro lugar. A falta de condições para interromper o trabalho também pode prolongar a exposição.
Resposta pública e pressão sobre empresas
O governo de Singapura recomendou reduzir atividades externas quando a qualidade do ar piora e distribuiu máscaras N95 ou equivalentes a moradores vulneráveis. O país também acionou sua legislação contra poluição transfronteiriça e notificou empresas suspeitas de ligação com áreas de incêndio na Indonésia. A aplicação dessas medidas depende da apuração da origem dos focos e da cooperação entre os governos envolvidos.
Na Indonésia, autoridades locais atuam diante dos incêndios e das consequências para a população, mas a dimensão regional do problema torna insuficientes respostas limitadas a uma única localidade. Fumaça e partículas não respeitam fronteiras administrativas: os efeitos chegam a comunidades distantes dos focos, enquanto a assistência e a responsabilização dependem de articulação entre países.
Prevenção exige mudar práticas e proteger comunidades
Além do socorro imediato, o debate envolve como evitar que áreas de vegetação e turfeiras voltem a queimar. Uma alternativa defendida por lideranças regionais é reaproveitar troncos de palmeiras de dendê antigas como matéria-prima para produtos de celulose, painéis ou cobertura do solo, em vez de recorrer à queima. A mudança depende de viabilidade econômica, fiscalização e adoção por produtores.
A crise deixa claro que a qualidade do ar é também uma questão de desigualdade. Quem tem menos renda tende a ter menos opções para evitar a fumaça, substituir a moradia ou interromper o trabalho. Proteger a população exige combinar alertas e atendimento médico com prevenção dos incêndios, apoio às famílias atingidas e mecanismos para cobrar responsabilidades de quem contribui para a poluição.
Quer se aprofundar nesta notícia? Leia mais sobre ela abaixo:
- https://www.gazetadopovo.com.br/mundo/fumaca-de-queimadas-na-indonesia-atinge-singapura-e-prejudica-familias-pobres/
- https://www.ewtnnews.com/world/asia-pacific/franciscans-call-for-solidarity-as-haze-from-indonesian-fires-blankets-southeast-asia
- https://www.reuters.com/3fec1b0a85a0/business/environment/why-is-haze-so-bad-in-southeast-asia-this-year-2026-10-15/
- https://www.mse.gov.sg/latest-news/haze-press-conference---ms-grace-fu/
- https://www.bbc.com/news/live/c6y93098e795t?post=asset:ae2ec6c5-9f28-4482-bb41-8194ed8f9dea