Correção do STAR50 apaga US$ 480 bilhões e põe apostas em IA na China sob pressão
O índice chinês recuou cerca de 40% em menos de quatro meses, enquanto dados oficiais apontam expansão de 40% da indústria de IA em 2025.
Redação ·
A forte queda das ações ligadas à inteligência artificial na China eliminou cerca de US$ 480 bilhões em valor de mercado e levou o índice STAR50 a recuar aproximadamente 40% em menos de quatro meses. O movimento, reportado entre 26 e 28 de outubro de 2026, expõe a distância entre as expectativas dos investidores e a evolução de um setor que ainda cresce rapidamente no país.
O ajuste vai além das empresas de chips
O STAR50 reúne companhias chinesas de tecnologia, semicondutores e áreas associadas à infraestrutura digital. A desvalorização atingiu papéis de fornecedores de componentes ópticos para centros de dados, fabricantes de chips e empresas de robótica — segmentos que se beneficiaram da corrida por equipamentos para inteligência artificial.
A correção não se limitou a esse índice. O CSI 300, que acompanha grandes companhias listadas na China continental, também perdeu cerca de 20% em relação às máximas registradas em junho, segundo as informações divulgadas sobre o mercado. O recuo sugere que a cautela dos investidores alcançou um conjunto mais amplo de ativos, embora o impacto mais intenso tenha recaído sobre ações associadas à IA.
Expectativas elevadas encontram novos riscos
A queda não foi atribuída a um único anúncio ou episódio. Entre os fatores apontados estão avaliações consideradas excessivas após a valorização anterior, dúvidas sobre a velocidade com que a demanda por IA se converterá em receitas e preocupações com possíveis restrições internacionais a equipamentos chineses usados em centros de dados.
Essas incertezas pesam especialmente sobre empresas cuja perspectiva de crescimento depende de investimentos contínuos em infraestrutura. Se clientes adiarem projetos ou se barreiras comerciais limitarem o acesso a mercados externos, as projeções que sustentavam preços elevados podem ser revistas. Isso não prova que a procura por inteligência artificial esteja desaparecendo; mostra que o mercado passou a cobrar mais evidências de retorno financeiro.
A indústria continua crescendo fora da bolsa
A correção das ações contrasta com os indicadores da atividade econômica. Dados oficiais chineses estimam que a indústria de IA do país superou 1,2 trilhão de yuans em 2025, alta anual de 40%. O mesmo levantamento contabilizou mais de 6.600 empresas do setor em junho de 2026, cerca de 15% do total mundial.
Essa diferença é importante: preços de ações refletem expectativas sobre lucros futuros e podem cair mesmo quando empresas e aplicações continuam se expandindo. A dimensão industrial, portanto, não elimina o risco para quem investiu em papéis muito valorizados; tampouco permite concluir, por si só, que o desenvolvimento tecnológico chinês tenha entrado em colapso.
O que observar nos próximos meses
Para avaliar se a queda foi uma correção de preços ou o começo de uma desaceleração mais profunda, será necessário acompanhar resultados empresariais, encomendas de chips e equipamentos, investimento em centros de dados e a evolução das restrições comerciais. Uma retomada das cotações sem melhora desses indicadores poderia apenas reavivar a volatilidade.
O episódio também interessa a investidores fora da China. A disputa por chips, infraestrutura e aplicações de IA envolve cadeias globais de fornecimento, enquanto mudanças nas regras de exportação podem alterar custos e oportunidades para empresas de vários países. Por ora, os dados disponíveis apontam para uma forte reprecificação financeira, não para uma contração comprovada de toda a indústria chinesa.
Quer se aprofundar nesta notícia? Leia mais sobre ela abaixo: