Cooperativas brasileiras reúnem 29 milhões de associados e somam R$ 1,6 trilhão em ativos
O Sistema OCB contabiliza 613.375 empregos diretos e aponta agro, crédito e saúde entre os ramos de maior peso no país.
Redação ·
O cooperativismo brasileiro reúne 29,02 milhões de associados e soma R$ 1,60 trilhão em ativos, segundo os dados mais recentes do Sistema OCB, com referência a 2025. São 4,4 mil cooperativas e mais de 613 mil empregos diretos. Os números ajudam a medir o tamanho de um modelo que combina atividade econômica com participação dos próprios associados.
O agro tem o maior peso econômico
Entre os diferentes ramos, o agropecuário concentra o maior volume de ingressos: R$ 487,33 bilhões em 2025, conforme a visão geral do Sistema OCB. O segmento reunia 1.254 cooperativas e cerca de 1,13 milhão de cooperados. As cooperativas podem oferecer estrutura de armazenagem, processamento, comercialização e assistência técnica que seria difícil de bancar individualmente, sobretudo para produtores de menor porte.
Isso não significa que todos os cooperados tenham os mesmos resultados, nem que a associação elimine riscos de mercado. Preços de commodities, clima, custos de produção e gestão continuam pesando. A vantagem possível está em juntar escala e negociar ou investir em serviços que, sozinho, o produtor teria mais dificuldade de acessar.
Crédito e saúde também movimentam o setor
O ramo de crédito tem presença expressiva: o anuário registra quase 23 milhões de cooperados e R$ 1,15 trilhão em ativos. O Banco Central, em levantamento próprio com referência ao fim de 2025, contabilizou 21,2 milhões de associados a cooperativas de crédito, entre pessoas físicas e jurídicas. Os totais não são diretamente intercambiáveis, porque as bases e os critérios de cada levantamento podem variar.
A expansão do crédito cooperativo importa especialmente em localidades com menos opções de atendimento financeiro. Ainda assim, cooperativa de crédito não é sinônimo de empréstimo automaticamente mais barato: taxas, exigências e condições dependem da instituição e do perfil de cada operação.
Na saúde, o setor soma 695 cooperativas e mais de 162 mil empregos diretos, segundo os dados da OCB. Transporte, infraestrutura, consumo e trabalho também aparecem entre os ramos reconhecidos pelo sistema. Essa diversidade ajuda a explicar por que cooperativismo não é apenas uma modalidade ligada à agricultura.
Crescimento pede participação e controle
Os dados mostram um setor de grande porte, mas tamanho, por si só, não garante bons resultados para os associados. Cooperativas precisam de gestão responsável, prestação de contas e participação efetiva dos membros. Como os cooperados são parte da organização, decisões sobre prioridades e distribuição de resultados passam por regras próprias e estruturas de governança.
Em entrevista publicada pela Gazeta do Povo, o jornalista e especialista em agronegócio José Luiz Tejon defendeu a cooperação como ferramenta para organizar produtores e ampliar oportunidades. Ele também apontou riscos quando a liderança privilegia resultados imediatos ou falha na gestão. É uma reflexão sobre o modelo, não um anúncio de mudança regulatória ou uma decisão nova do setor.
O desafio adiante é fazer com que o alcance econômico se traduza em acesso a conhecimento, mercado e serviços para mais pessoas. Para quem avalia entrar em uma cooperativa, vale olhar além do nome: entender as regras de participação, a situação financeira, os serviços oferecidos e como as decisões são tomadas é parte essencial da escolha.
Quer se aprofundar nesta notícia? Leia mais sobre ela abaixo:
- https://www.gazetadopovo.com.br/economia-cooperativa/o-cooperativismo-e-o-invento-mais-civilizatorio-da-humanidade/
- https://somoscooperativismo.coop.br/anuariocoop/dados-do-cooperativismo/cooperativas
- https://www.somoscooperativismo.coop.br/anuariocoop/dados-do-cooperativismo/visao-geral
- https://www.bcb.gov.br/content/estabilidadefinanceira/coopcredpanorama/panorama_cooperativas_sncc_anobase_dez_2025_FINAL_comnota.pdf