29 milhões já aderiram às cooperativas, e José Luiz Tejon aponta espaço para crescer
O retrato mais recente do setor reúne 4,4 mil cooperativas, 613 mil empregos diretos e R$ 848,37 bilhões em ingressos.
Redação ·
José Luiz Tejon defende que cooperativas podem aproximar produtores e trabalhadores de mercados, conhecimento e oportunidades que seriam mais difíceis de alcançar individualmente. A discussão ganha escala no Brasil: os dados de referência de 2025 contabilizam 29 milhões de cooperados e mostram um setor presente em atividades que vão da agricultura ao crédito e à saúde.
A dimensão econômica ajuda a entender por que o tema vai além de uma ideia de ajuda mútua. Mas os números, por si só, não provam que o cooperativismo gere avanço social automaticamente. O resultado depende de quem consegue participar, de como a organização é administrada e de quanto os benefícios chegam aos próprios associados e às comunidades.
Uma rede que movimenta diferentes setores
O levantamento nacional mais recente registra 4.400 cooperativas e 613.375 empregos diretos. Em 2025, elas tiveram R$ 848,37 bilhões em ingressos — valor ligado à atividade econômica do conjunto — e acumularam R$ 1,60 trilhão em ativos. São indicadores que mostram peso econômico, mas não devem ser confundidos com lucro distribuído igualmente entre todos os cooperados.
A composição do setor também revela que cooperativismo não é sinônimo apenas de agricultura. O ramo de crédito concentra 22,95 milhões de cooperados e R$ 1,15 trilhão em ativos. Já as cooperativas agropecuárias somam R$ 487,33 bilhões em ingressos e empregam 277.226 pessoas. Saúde, transporte, infraestrutura e consumo também aparecem no retrato nacional.
O que muda para quem participa
Na prática, a organização coletiva pode dividir custos e reunir estrutura para oferecer serviços, financiar atividades ou negociar a produção. Para um produtor rural, por exemplo, uma cooperativa pode centralizar etapas de armazenamento, processamento e comercialização. No crédito, pode oferecer uma alternativa financeira em localidades onde a presença de instituições é menor.
Essa capacidade de escala é parte do argumento apresentado por Tejon: pessoas isoladas têm menos poder para acessar tecnologia e mercados amplos. A adesão, porém, não elimina diferenças de renda, porte ou acesso à informação. O modelo só funciona bem para seus membros quando regras, prestação de contas e decisões são compreensíveis e participativas.
O tamanho não resolve o desafio da inclusão
O total de associados cresceu 86% desde 2019, segundo a série do anuário. Ainda assim, uma base numerosa não diz, sozinha, quem está ficando de fora nem se todos os ramos e regiões avançam no mesmo ritmo. Também é importante distinguir cooperados — pessoas vinculadas às organizações — de empregos diretos: são medidas diferentes e não devem ser somadas como se representassem o mesmo grupo.
A reportagem de origem destaca a dificuldade de integrar produtores sem acesso a tecnologia e canais organizados de venda, além da importância de preparar novas gerações para assumir atividades no campo. Esses pontos ajudam a dimensionar o desafio futuro: crescer não é apenas aumentar o número de associados, mas ampliar o acesso e manter governança capaz de representar interesses diversos.
A defesa de Tejon, portanto, coloca em pauta uma ferramenta econômica e social, não uma solução automática para desigualdades. Os dados mostram presença e escala; saber se isso se traduz em oportunidades mais distribuídas exige olhar também para a participação dos cooperados, a qualidade da gestão e os resultados concretos em cada comunidade.
Quer se aprofundar nesta notícia? Leia mais sobre ela abaixo:
- https://www.gazetadopovo.com.br/economia-cooperativa/jose-luiz-tejon-defende-o-cooperativismo-como-motor-de-avanco-social-no-brasil/
- https://www.somoscooperativismo.coop.br/anuariocoop/dados-do-cooperativismo/visao-geral
- https://www.gazetadopovo.com.br/economia-cooperativa/o-cooperativismo-e-o-invento-mais-civilizatorio-da-humanidade/