Congresso democrata deixa Wall Street de olho em juros e lucros de IA

Congresso democrata deixa Wall Street de olho em juros e lucros de IA

A vitória do partido de oposição nas duas casas do Congresso dos EUA reduziu a incerteza eleitoral, mas abriu dúvidas sobre regras para tecnologia e o rumo dos juros.

Redação ·

A vitória democrata nas duas casas do Congresso dos Estados Unidos, definida nas eleições de meio de mandato de terça-feira, 3 de novembro, mudou o cenário político que investidores terão de acompanhar. Na manhã desta quarta, 4 de novembro, os contratos futuros de ações oscilaram: começaram em queda e depois passaram a subir, enquanto o mercado tentava medir o efeito do novo Congresso sobre a agenda de Donald Trump.

A reação instável não é incomum em dias de eleição. Antes da votação, o S&P 500 havia recuado 3,2% em relação ao recorde de 6 de outubro, e o Nasdaq 100, com peso grande de empresas de tecnologia, tinha caído quase 10% no mesmo intervalo. Com o resultado conhecido, parte dos investidores voltou a comprar ações, mas as cotações ainda refletiam dúvidas sobre juros, lucros e regulação.

O histórico ajuda, mas não resolve a conta

Há um padrão que costuma animar o mercado: desde 1950, o S&P 500 terminou em alta em todos os períodos de 12 meses após eleições de meio de mandato, com ganho médio de 15%, segundo números compilados pelo editor do Stock Trader’s Almanac, Jeffrey Hirsch. No mês seguinte à votação, o índice subiu em quase 79% das ocasiões analisadas, com avanço médio de 1,6%.

Isso não significa que a bolsa suba em linha reta. Em 2018, por exemplo, o S&P 500 avançou no pregão posterior às eleições, mas caiu no mês seguinte e encerrou o ano em baixa. Naquele período, o Federal Reserve elevou os juros quatro vezes. O episódio ajuda a lembrar que o resultado político é apenas uma parte da equação — e que o custo do dinheiro pode pesar tanto quanto a composição do Congresso.

Juros e inteligência artificial seguem no radar

A preocupação de alguns estrategistas é que uma fiscalização mais rigorosa sobre empresas de inteligência artificial afete investimentos e expectativas de lucro. Ainda assim, a vitória democrata nas duas casas não garante que novas regras avancem: o presidente Donald Trump pode vetar projetos de lei, e os democratas não têm votos suficientes para derrubar um veto, segundo a análise citada na reportagem.

O outro ponto é o nível dos juros. Taxas elevadas podem reduzir o apetite por ações e tornar mais difícil justificar avaliações altas, especialmente em empresas de tecnologia. Para o estrategista Sam Stovall, da CFRA, os lucros corporativos e as taxas de juros são os fatores que mais pesam na trajetória das ações. Assim, o histórico favorável depois das midterms é uma referência, não uma previsão segura para o próximo ano.

Quer se aprofundar nesta notícia? Leia mais sobre ela abaixo:

  1. https://www.infomoney.com.br/mercados/acoes-nos-eua-costumam-subir-apos-midterms-mas-juros-e-ia-preocupam-analistas/
  2. https://edition.cnn.com/2026/11/04/investing/us-markets-midterm-elections
  3. https://www.fidelity.com/news/article/default/202611032131RTRSNEWSCOMBINED_L2N46L01E_1
  4. https://finance.yahoo.com/markets/stocks/articles/us-stock-futures-rise-democrats-105259840.html