Conexis põe qualificação e regras no centro da agenda digital
A entidade estima que a economia digital represente 16% do PIB e defende mudanças regulatórias e tributárias para ampliar esse peso.
Redação ·
A Conexis Brasil Digital apresentou, em 26 de outubro, uma lista de prioridades para o governo de Luiz Inácio Lula da Silva, reeleito no dia anterior, e colocou formação profissional, regulação e impostos entre os pontos que, na avaliação do setor de telecomunicações, podem acelerar a digitalização da economia. A associação estima que as atividades digitais já respondam por 16% do Produto Interno Bruto (PIB) e projeta espaço para uma participação de até 24%.
A estimativa é uma projeção defendida pela entidade, não um indicador oficial de cálculo consensual. Para chegar ao intervalo, a Conexis sustenta que o país precisa avançar para além do acesso básico à internet e criar condições para que conectividade e tecnologia impulsionem a produtividade de empresas e serviços.
A agenda vai além de ampliar o acesso
Entre as prioridades listadas estão preparar profissionais para ocupações digitais, atualizar regras do setor e simplificar exigências regulatórias. A entidade também reivindica reduzir diferenças nas obrigações aplicadas às operadoras de telecomunicações e às grandes plataformas de conteúdo digital, além de rever a tributação de serviços e equipamentos.
Esses pontos são propostas do setor, não medidas já aprovadas pelo governo. Na prática, a discussão envolve como distribuir custos e responsabilidades entre empresas que oferecem conexão e companhias que dependem dela para prestar serviços em larga escala. Mudanças nesse equilíbrio podem afetar investimentos, concorrência e a forma como a infraestrutura de redes é financiada.
O que significa a projeção para o PIB
A faixa de 18% a 24% apresentada pela Conexis deve ser lida como uma meta possível, e não como previsão garantida. O resultado depende de decisões públicas, investimentos privados, qualificação de trabalhadores e da própria definição do que entra na conta da “economia digital”. Não há uma medida única que permita comparar automaticamente estimativas com escopos diferentes.
Documentos oficiais de transformação digital tratam o tema de forma abrangente: incluem infraestrutura de telecomunicações, serviços, competências digitais e a incorporação de tecnologia por diferentes atividades econômicas. Por isso, percentuais divulgados por entidades setoriais podem incluir componentes distintos daqueles considerados em estatísticas mais restritas. A cifra de 16% mencionada pela Conexis não deve ser confundida com uma série oficial padronizada do PIB.
Conectividade, produtividade e inclusão
A conexão de qualidade é uma condição para empresas adotarem serviços em nuvem, automação e ferramentas digitais, mas não garante, sozinha, ganhos de produtividade. A disponibilidade de profissionais capacitados e de redes confiáveis também influencia a adoção dessas tecnologias, especialmente por negócios menores e em localidades com infraestrutura menos desenvolvida.
A estratégia brasileira de transformação digital e o planejamento de conectividade da Anatel abordam desafios como expansão de redes, inclusão, habilidades e segurança. Esse contexto ajuda a explicar por que a agenda da Conexis combina temas técnicos com reivindicações econômicas: a expansão digital depende de coordenação entre governo, reguladores e empresas, embora cada grupo tenha prioridades próprias.
O próximo passo será transformar propostas em política
A manifestação da associação abre uma agenda de interlocução com o novo governo, mas não determina quais medidas serão adotadas nem em que prazo. A efetividade das propostas dependerá de decisões regulatórias e tributárias, de eventuais programas de formação e da capacidade de ampliar a infraestrutura sem deixar de lado a competição e o acesso dos consumidores.
Para quem usa serviços digitais, a discussão importa porque as escolhas podem influenciar a qualidade da conexão, a chegada de novas ofertas e os custos de operar redes e serviços. Já a meta de elevar a participação digital no PIB só poderá ser avaliada com clareza quando houver critérios públicos de medição e resultados concretos em produtividade e inclusão.
Quer se aprofundar nesta notícia? Leia mais sobre ela abaixo:
- https://convergenciadigital.com.br/telecom/conexis-parabeniza-lula-e-diz-que-economia-digital-pode-chegar-a-24-do-pib-brasileiro/
- https://valorinternational.globo.com/business/news/2026/06/30/telecom-sector-urges-next-president-to-create-digitalization-ministry.ghtml
- https://www.gov.br/mcti/pt-br/acompanhe-o-mcti/transformacaodigital/arquivosestrategiadigital/e-digital_ciclo_2022-2026.pdf
- https://oglobo.globo.com/economia/fabio-graner/noticia/2026/06/22/eleicoes-o-plano-do-setor-de-telecom-para-elevar-economia-digital-do-brasil-a-18percent-do-pib.ghtml