Conexão via satélite ganha espaço no Chile, mas segue de nicho na Nova Zelândia
Levantamento da Ookla aponta 25,9 conexões diárias por 10 mil celulares neozelandeses e avanço de 2,4 vezes no Chile entre janeiro e setembro de 2026.
Redação ·
A conectividade móvel via satélite já aparece com mais frequência em dois mercados do Pacífico, mas ainda representa uma parcela pequena do uso de celulares. Em setembro de 2026, a Nova Zelândia registrou a maior taxa de conexões diárias D2D entre os países analisados pela Ookla, enquanto o Chile se destacou pelo ritmo de expansão desde o início do ano.
A tecnologia, conhecida como direct-to-device (D2D), permite que celulares compatíveis se conectem diretamente a satélites quando não há cobertura terrestre disponível. O avanço observado nesses países ajuda a mostrar onde o serviço começa a encontrar usuários — e quais limitações ainda o mantêm como complemento, não substituto, das redes convencionais.
Dois indicadores, trajetórias diferentes
A Nova Zelândia teve média de 25,9 conexões diárias por 10 mil celulares em setembro, equivalente a cerca de 0,26% da base móvel. Apesar de liderar proporcionalmente, o país havia recuado 20% em usuários de D2D entre janeiro e setembro. O pico ocorreu em abril, quando a taxa chegou a 40 conexões por 10 mil aparelhos.
No Chile, foram 22 conexões diárias por 10 mil celulares em setembro, ou aproximadamente 0,22% da base. O número, porém, multiplicou-se por 2,4 desde janeiro, a maior alta entre os mercados considerados no levantamento. A diferença sugere que a liderança neozelandesa em intensidade de uso não significa crescimento contínuo, enquanto o Chile avança a partir de uma base menor.
Onde a conexão faz diferença
O D2D tende a ser mais útil em áreas sem sinal de operadoras, como regiões remotas, casas de veraneio e destinos turísticos afastados. No Chile, a mineração é um exemplo concreto: trabalhadores podem precisar manter comunicação em locais onde instalar antenas terrestres é difícil ou economicamente pouco atraente.
O serviço também pode funcionar de forma ocasional, em viagens e períodos de férias. Há ainda situações em que existe cobertura de outra operadora, mas o aparelho não consegue usá-la por falta de acordo de roaming ou por uma falha localizada. Assim, a conexão por satélite pode preencher lacunas, mas não implica disponibilidade permanente nem substitui, por si só, uma rede móvel de alta capacidade.
A operadora chilena Entel, que oferece o serviço D2D no país, atribuiu à conectividade via satélite 10% dos clientes que conquistou no segundo trimestre de 2026. É um sinal de que a função pode influenciar a escolha de uma operadora em determinados segmentos, embora não indique quantos clientes usam a conexão com regularidade.
Adoção ainda é pequena
Austrália, Canadá, Estados Unidos e Peru também foram incluídos na comparação da Ookla. Em setembro, as taxas registradas foram de 20,8 conexões por 10 mil celulares na Austrália, 16,6 no Canadá, 10,6 nos Estados Unidos e 5,1 no Peru. O dado mede a frequência de conexões observadas, não a cobertura territorial ou o total de assinantes, e não deve ser lido como acesso contínuo para todos os celulares.
Em uma análise mais ampla, a Ookla apontou que as conexões D2D globais registradas cresceram cerca de 24,5% entre julho de 2025 e março de 2026. Ainda assim, o uso permanece reduzido diante do conjunto de linhas móveis. A experiência depende da disponibilidade do serviço em cada país, do aparelho, das condições de conexão e da rede de satélites.
O que os dados sinalizam para o Brasil
O interesse pelo tema também chegou ao mercado brasileiro. A Vivo lançou uma oferta de conectividade via satélite com a Starlink, enquanto Brisanet, iez! e Unifique firmaram parceria com a AST SpaceMobile para desenvolver serviços D2D. São iniciativas com empresas e modelos distintos; os anúncios, por si só, não significam que a cobertura esteja disponível em todo o território ou que os serviços tenham capacidade igual à das redes terrestres.
A experiência do Chile e da Nova Zelândia aponta um caminho provável: o satélite pode ser especialmente valioso para quem vive, trabalha ou viaja fora das áreas cobertas, mesmo que a maioria dos usuários continue dependendo de antenas convencionais. Para o consumidor, a expansão dependerá da disponibilidade local, dos aparelhos compatíveis e das condições comerciais de cada operadora.
Quer se aprofundar nesta notícia? Leia mais sobre ela abaixo:
- https://www.mobiletime.com.br/noticias/27/10/2026/d2d-nova-zelandia-chile/
- https://www.ookla.com/articles/measuring-the-direct-to-device-d2d-marketplace-2026
- https://teletime.com.br/23/10/2026/operadoras-regionais-fecham-parceria-com-ast-spacemobile-para-d2d/
- https://www.estadao.com.br/amp/economia/negocios/vivo-em-parceria-com-starlink-de-elon-musk-lanca-internet-movel-por-satelite/