China enfraquece resultados e reduz apelo de Hermès e LVMH na Bolsa

China enfraquece resultados e reduz apelo de Hermès e LVMH na Bolsa

A procura mais fraca no mercado chinês também pressionou Kering e Gucci, enquanto os resultados do terceiro trimestre frustraram expectativas de investidores.

Redação ·

A desaceleração das compras de luxo na China voltou a pesar sobre os balanços de Hermès, LVMH e Kering, e ampliou a cautela de investidores com as grandes marcas europeias. Os resultados divulgados entre 22 e 23 de outubro mostram que nem mesmo empresas tradicionalmente vistas como mais resistentes ficaram imunes à perda de fôlego do consumidor. As ações de Hermès e LVMH acumulavam recuo próximo de 40% em 2026, segundo a cobertura de mercado publicada neste período.

A desaceleração chegou às marcas mais resistentes

A Hermès registrou alta de 4,3% na receita do terceiro trimestre em bases comparáveis, alcançando cerca de € 4,1 bilhões. O avanço ficou aquém das expectativas do mercado, e a empresa descreveu o cenário chinês como especialmente difícil. A fraqueza atingiu categorias como roupas, calçados e acessórios, além dos itens mais exclusivos que costumam sustentar a reputação de resiliência da grife.

A cifra de crescimento reportada, considerando efeitos cambiais, foi de 5,5%. A diferença entre as duas medidas importa porque a comparação em bases constantes ajuda a avaliar a evolução das vendas sem a variação das moedas. Após o balanço, analistas da Berenberg reduziram sua recomendação para as ações, citando dúvidas sobre a exposição à China e a dependência de clientes aspiracionais — consumidores que desejam produtos de luxo, mas tendem a reagir mais às condições econômicas.

LVMH e Kering também enfrentam pressão

Na LVMH, dona de marcas como Louis Vuitton e Dior, o crescimento comparável no terceiro trimestre ficou em 1%, desacelerando em relação ao trimestre anterior. A Ásia, excluído o Japão, foi a única região com retração, com vendas 5% menores. O resultado aumentou as dúvidas sobre a velocidade de recuperação do setor e sobre a contribuição do consumidor chinês para os próximos balanços.

A Kering, controladora da Gucci, relatou vendas abaixo do esperado para a marca: a receita da Gucci caiu 6%, para € 1,291 bilhão, e as vendas em lojas próprias recuaram 9%. A empresa também apontou demanda fraca na China. As ações da Kering chegaram a cair 12% em 23 de outubro, enquanto o grupo mantém uma reorganização que inclui acelerar o fechamento de lojas com desempenho fraco.

Por que a China pesa tanto

O país é um mercado decisivo para as grifes globais, mas o consumo enfrenta uma combinação de confiança baixa, crise imobiliária e dificuldades nos mercados financeiros. A contenção de gastos entre compradores de alta renda e a maior cautela dos clientes aspiracionais reduzem o fluxo às lojas e tornam mais difícil sustentar o crescimento apenas com reajustes de preços.

Essa pressão não se distribui igualmente. A Hermès ainda conta com produtos muito desejados e oferta limitada, mas o recuo ou a fraqueza em categorias além das bolsas indica que a desaceleração pode atingir uma base maior do negócio. Para grupos diversificados como LVMH, a retração asiática também afeta divisões importantes e torna a recuperação dependente de uma melhora mais ampla da demanda.

O que os investidores devem acompanhar

A queda das cotações pode fazer as ações parecerem mais baratas em relação aos lucros projetados, mas isso não garante uma recuperação rápida. Se as vendas continuarem decepcionando, as estimativas de receita e lucro podem ser revistas para baixo, reduzindo a atratividade aparente dos papéis. Por isso, o mercado acompanha não apenas os múltiplos, mas também o tráfego nas lojas, as vendas na China e a capacidade das marcas de proteger margens sem afastar clientes.

Os próximos balanços e indicadores de consumo ajudarão a esclarecer se o setor atravessa uma fase passageira ou uma mudança mais duradoura no padrão de compras. Para as empresas, o desafio é equilibrar preços, distribuição e exclusividade; para quem investe, a questão central é quanto tempo levará até a demanda chinesa voltar a sustentar o crescimento.

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  1. https://www.infomoney.com.br/mercados/o-luxo-virou-pechincha-acoes-caem-40-e-ninguem-quer-comprar/
  2. https://www.caixinglobal.com/2026-10-23/chinas-luxury-slowdown-weighs-on-global-brands-102496686.html
  3. https://www.straitstimes.com/business/market-turns-cold-on-luxury-after-lvmhs-china-letdown
  4. https://finance.yahoo.com/markets/stocks/articles/even-herm-feeling-china-luxury-153607136.html
  5. https://edgeconsultancykw.com/european-luxury-q3-2026-hermes-kering-prada-moncler-lvmh/