Checkout da Convertr expôs dados de pagamento por três dias

Checkout da Convertr expôs dados de pagamento por três dias

O código malicioso foi inserido no rastreador Plausible usado pela plataforma e podia capturar também CPFs durante compras em lojas de moda brasileiras.

Redação ·

Um código malicioso inserido em um componente de análise de tráfego da Convertr deixou dados de pagamento de compradores vulneráveis em checkouts de lojas virtuais brasileiras. A Sansec identificou a atividade a partir de 24 de outubro; em atualização publicada nesta terça-feira, 27, a empresa informou que o código foi removido e o sistema atualizado. O episódio mostra como uma falha em um serviço compartilhado pode alcançar várias lojas sem invadir cada uma delas individualmente.

Como o código chegou às páginas de compra

A Convertr fornece infraestrutura de checkout a dezenas de varejistas de moda no Brasil. As páginas de pagamento carregavam um arquivo do Plausible, ferramenta de análise de audiência hospedada em um servidor da própria plataforma. Segundo a investigação da Sansec, invasores alteraram esse arquivo para incluir um programa de captura de dados, conhecido como skimmer.

Como o script era carregado nos checkouts, o código podia observar os campos preenchidos pelos clientes e encaminhar as informações para servidores externos. Entre os dados visados estavam números de cartão, validade, código de segurança e CPF. Não foi divulgada uma contagem confirmada de consumidores afetados, nem uma lista pública das lojas envolvidas.

Uma falha em serviço compartilhado

A investigação aponta que o invasor modificou o rastreador analítico usado pela Convertr, em vez de alterar separadamente o sistema de cada loja. Esse tipo de comprometimento da cadeia de fornecimento digital amplia o alcance potencial: um componente comum, incorporado em vários sites, pode se tornar um caminho para atacar muitos checkouts ao mesmo tempo.

A Sansec considera que uma vulnerabilidade no Plausible pode ter sido a porta de entrada, mas essa explicação ainda não foi confirmada de forma independente. Portanto, o vetor exato deve ser tratado como hipótese técnica, e não como conclusão definitiva sobre a invasão. A análise da empresa também descreve mudanças no código durante o período, com ajustes para reconhecer os campos específicos do sistema de pagamento.

O que se sabe sobre a resposta

A Convertr removeu o script malicioso e atualizou o Plausible para uma versão corrigida, conforme a atualização da Sansec. A empresa também informou que notificaria comerciantes afetados, provedores de pagamento e autoridades competentes. Até o momento, as informações públicas consultadas não detalham quantos estabelecimentos receberam aviso nem quantos registros chegaram efetivamente aos criminosos.

A retirada do código reduz a exposição contínua, mas não desfaz a captura de dados que possa ter ocorrido enquanto ele estava ativo. Além disso, cópias armazenadas temporariamente em cache podem exigir verificações adicionais para garantir que os navegadores estejam recebendo a versão limpa do arquivo.

O que consumidores e lojistas podem fazer

Quem comprou em uma loja que utiliza a Convertr no período de exposição deve acompanhar as movimentações do cartão e falar com o banco emissor se notar uma transação suspeita. O consumidor também pode pedir orientação sobre bloqueio ou substituição do cartão. Como o CPF pode ter sido visado, vale ficar atento a consultas, cadastros ou solicitações de crédito que não reconheça.

Para os lojistas, o passo imediato é confirmar com a Convertr se o checkout esteve no escopo do incidente e se os arquivos carregados nas páginas de pagamento estão limpos. Também é recomendável revisar registros de acesso, alinhar medidas de monitoramento com os provedores de pagamento e informar os clientes potencialmente expostos. A falta de números públicos impede dimensionar o impacto total, mas não elimina a necessidade de agir preventivamente.

Por que o caso importa para o comércio eletrônico

O episódio evidencia que a segurança de uma compra depende de mais do que a loja e o banco: scripts de análise, bibliotecas e fornecedores integrados ao checkout também podem afetar a proteção dos dados. Para empresas, isso reforça a importância de manter componentes atualizados e acompanhar fornecedores com acesso à jornada de pagamento. Para consumidores, a recomendação prática é monitorar contas e tratar qualquer movimentação desconhecida rapidamente.

Quer se aprofundar nesta notícia? Leia mais sobre ela abaixo:

  1. https://www.estadao.com.br/tecmundo/ciberseguranca/criminosos-vazam-cartoes-de-creditos-de-brasileiros-em-dezenas-de-lojas-virtuais/
  2. https://sansec.io/research/convertr-plausible-supply-chain-attack
  3. https://www.bleepingcomputer.com/news/security/hackers-hijack-convertr-analytics-script-to-steal-payment-card-data/