Células de bateria viram desafio para a expansão da BYD no Brasil
Alexandre Baldy disse em 29 de outubro que cerca de 85% das células usadas pela montadora ainda vêm da China.
Redação ·
A BYD quer avançar no Brasil para além da montagem de conjuntos de baterias. Alexandre Baldy, vice-presidente do Grupo BYD Brasil, afirmou na quinta-feira, 29 de outubro, que pediu ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva uma articulação diplomática com a China para viabilizar a transferência de tecnologia usada na fabricação de células de bateria. Até agora, não há notícia de acordo firmado entre os governos.
O que a BYD já faz por aqui
A diferença entre célula e conjunto ajuda a entender o pedido. A célula é a unidade que armazena energia; várias delas são reunidas em um pack, que integra o sistema da bateria usado no veículo. Segundo Baldy, a BYD já produz packs no Brasil, mas importa da China a maior parte das células empregadas nessa etapa: aproximadamente 85%.
Na prática, a produção local de um conjunto não significa que todos os componentes e conhecimentos necessários também estejam no país. A fabricação das células é uma parte mais complexa da cadeia e envolve processos industriais e tecnologia que a montadora ainda busca trazer para o Brasil. A fala do executivo aponta, portanto, para uma etapa que falta à nacionalização da produção.
Um pedido, não um acordo
Baldy relatou ter solicitado a Lula que abra um canal de conversa com Pequim. Isso não equivale a uma decisão do presidente, a um compromisso do governo chinês ou à autorização para a BYD transferir tecnologia. Por enquanto, o que veio a público é a iniciativa defendida pelo executivo e a expectativa de que a diplomacia possa ajudar a avançar a negociação.
A distinção importa porque a transferência depende de mais do que uma decisão da filial brasileira. A empresa precisa compartilhar conhecimento e processos industriais, e as regras chinesas para a circulação de tecnologias estratégicas também entram nessa equação. Sem uma negociação e os avales necessários, não dá para tratar a produção nacional de células como algo definido ou com prazo anunciado.
Por que a cadeia local está no centro da conversa
O tema se conecta aos planos da BYD para ampliar sua presença industrial no país, com a fábrica de Camaçari, na Bahia, entre os principais projetos. A expansão de uma montadora pode gerar atividade e fornecedores locais, mas o grau de conteúdo produzido no Brasil depende de quais etapas são feitas aqui e de quais componentes continuam vindo de fora.
Esse é o ponto econômico do pedido. Se o país conseguir participar de fases mais avançadas da cadeia de baterias, poderá reduzir a dependência de componentes importados e ampliar o conhecimento industrial local. Mas isso não acontece automaticamente com a instalação de uma fábrica: requer investimento, capacidade técnica e acesso à tecnologia. A conversa sugerida por Baldy seria um passo diplomático, não uma garantia de que essas condições serão atendidas.
O que falta saber
Ainda não há informação pública sobre calendário, formato da transferência, investimentos necessários ou quais tecnologias poderiam ser incluídas. Também não está confirmado se Lula encaminhou formalmente o pedido ao governo chinês. Esses detalhes serão decisivos para medir se a iniciativa pode mudar a cadeia produtiva ou se ficará apenas como uma proposta em negociação.
Por ora, a BYD segue com produção de packs no Brasil e dependência relevante de células importadas. O pedido expõe uma ambição industrial concreta, mas o avanço depende de conversas entre os países e de decisões empresariais e regulatórias que ainda não foram anunciadas.
Quer se aprofundar nesta notícia? Leia mais sobre ela abaixo:
- https://www.gazetadopovo.com.br/republica/byd-pede-a-lula-acordo-com-a-china-para-transferencia-de-tecnologia/
- https://www.poder360.com.br/poder-china/byd-brasil-pediu-a-lula-acordo-para-transferencia-de-tecnologia-chinesa/
- https://www.gov.br/planalto.html/pt-br/acompanhe-o-planalto/noticias/2025/10/lula-sobre-fabrica-da-byd-na-bahia-201crepresenta-a-recuperacao-da-dignidade-do-povo-de-camacari201d