57,22% dos votos garantem a Celina Leão novo mandato no DF
Leandro Grass ficou com 42,78% dos votos válidos no segundo turno realizado neste domingo, 25 de outubro.
Redação ·
Celina Leão (PP) continuará à frente do Governo do Distrito Federal após vencer o segundo turno deste domingo, 25 de outubro. A governadora recebeu 57,22% dos votos válidos, contra 42,78% de Leandro Grass (PT), resultado que mantém a disputa local sob a liderança do grupo político que chegou ao Palácio do Buriti em 2019.
A vitória renova o mandato de Celina por mais quatro anos e encerra uma campanha em que os dois candidatos buscaram ampliar suas bases para além do eleitorado que os levou à rodada final. Para o governo distrital, o resultado também significa continuidade num momento em que temas de gestão, como a situação do Banco de Brasília (BRB), devem seguir no centro do debate público.
A vantagem que marcou a disputa
O resultado do segundo turno consolidou uma vantagem que já aparecia na primeira etapa, embora Celina tenha ficado então a poucos votos de conquistar a maioria necessária para vencer sem nova votação. Em 4 de outubro, ela obteve 825.530 votos, equivalentes a 49,93% dos válidos, enquanto Grass recebeu 569.930 votos, ou 34,47%, conforme os dados publicados pelo Tribunal Superior Eleitoral sobre a definição do segundo turno.
Na etapa final, a campanha da governadora contou com apoio de uma aliança que incluiu PP, Republicanos, MDB, Podemos e PL. Celina também buscou tornar mais conhecida a identificação numérica de sua candidatura: durante o primeiro turno, mais de 26 mil eleitores escolheram por engano o número do PL para governador e tiveram os votos anulados.
O que permanece em pauta no governo
A reeleição não elimina os desafios relacionados à gestão anterior. Celina assumiu o Executivo distrital neste ano, após a saída de Ibaneis Rocha, de quem era vice. Durante a campanha, ela procurou separar sua candidatura do desgaste associado ao antecessor, enquanto a crise envolvendo o BRB e o Banco Master permaneceu como uma questão relevante para o próximo mandato.
O caso envolve títulos do Banco Master adquiridos pelo BRB e a tentativa de compra da instituição financeira. Na campanha, Celina rejeitou a privatização do banco e afirmou que ele mantinha liquidez, mas não apresentou uma solução definitiva para a crise. A condução do tema será acompanhada por clientes, servidores e contribuintes, já que a instituição financeira é controlada pelo governo do Distrito Federal.
Grass terá de reorganizar a oposição
Leandro Grass chegou ao segundo turno com o desafio de reduzir a diferença acumulada na primeira rodada. Sua campanha criticou a administração local, com ênfase em saúde, educação e transparência, e buscou reunir diferentes setores da oposição. O PSB declarou apoio ao petista; outras lideranças tiveram posicionamentos distintos, e Kiko Caputo (Novo) apoiou Celina.
A derrota mantém o PT fora do comando do Executivo distrital. O partido governou a capital entre 2011 e 2014, durante a administração de Agnelo Queiroz. Para Grass, que também disputou o governo em 2022 e terminou em segundo lugar, o resultado abre uma nova etapa de atuação política e deixa em aberto como será a articulação da oposição ao governo reeleito.
O que a vitória significa para os próximos anos
A eleição define quem comandará a administração do DF pelos próximos quatro anos, mas não resolve automaticamente as cobranças sobre serviços públicos nem a crise financeira que marcou a campanha. O resultado dá a Celina uma nova oportunidade de conduzir essas agendas com apoio eleitoral renovado; a forma como o governo responderá a elas será determinante para a relação com os moradores e com a Câmara Legislativa.
A votação também prolonga a predominância da direita no governo distrital desde 2019. A nova gestão deverá equilibrar a continuidade política com a necessidade de apresentar respostas concretas para problemas herdados e demandas de áreas essenciais. O desfecho da eleição, portanto, encerra a disputa nas urnas, mas abre uma fase de cobrança sobre prioridades, transparência e execução das promessas.
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