Com 2,5% das urnas, cálculo de Rodrigo Mahlmeister indicou o rumo da disputa

Com 2,5% das urnas, cálculo de Rodrigo Mahlmeister indicou o rumo da disputa

O sistema cruzou resultados de 2022 e do primeiro turno de 2026 para estimar os votos que ainda não haviam sido totalizados.

Redação ·

Durante a apuração do segundo turno presidencial, em 25 de outubro, o cálculo desenvolvido pelo pesquisador Rodrigo Mahlmeister apontou a direção do resultado quando cerca de 2,5% das urnas haviam sido contabilizadas. A projeção indicou a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva sobre Flávio Bolsonaro antes de a totalização oficial avançar. O episódio mostrou como dados de eleições anteriores podem ajudar a interpretar uma apuração em andamento — sem que isso signifique prever como as pessoas votariam.

Uma estimativa sobre urnas que ainda não apareceram

O modelo não era uma pesquisa de intenção de voto nem uma previsão feita antes da eleição. No momento em que a apuração começou, os votos já tinham sido depositados. A tarefa era estimar como poderiam se distribuir os votos das localidades cujas urnas ainda não haviam sido divulgadas.

Para isso, o sistema comparava os resultados conhecidos com o histórico eleitoral de cada região e com o desempenho observado no primeiro turno de 2026. A partir dessas referências, calculava diferenças entre eleições e aplicava tendências semelhantes aos locais ainda pendentes. À medida que novos dados oficiais entravam na conta, a projeção podia ser atualizada.

Por que a ordem da apuração faz diferença

A divulgação dos resultados não ocorre necessariamente em uma sequência que represente todo o eleitorado de maneira uniforme. Municípios e regiões podem entrar na totalização em momentos diferentes e ter perfis políticos distintos. Por isso, olhar apenas para a porcentagem parcial de votos pode dar uma impressão incompleta do desfecho.

O método tenta contornar esse problema levando em conta de onde vêm os votos apurados e como aquelas localidades se comportaram em pleitos anteriores. Assim, uma vantagem inicial de um candidato não é tratada automaticamente como sinal definitivo: o cálculo considera também o perfil das urnas que ainda faltam.

O que o histórico eleitoral acrescenta

A projeção do segundo turno usou como referências o segundo turno de 2022 e o primeiro turno da eleição de 2026, além de características regionais e municipais. A comparação permite estimar se o comportamento visto nas urnas apuradas está acima ou abaixo do padrão esperado para áreas com características parecidas.

O histórico, porém, não elimina a incerteza. Uma eleição pode apresentar mudanças de comportamento que não se repetem nos pleitos anteriores, e estimativas feitas com poucos dados disponíveis tendem a ser mais sensíveis a cada nova leva de resultados. A projeção é, portanto, uma leitura estatística em evolução, não uma contagem paralela nem uma garantia antecipada do resultado.

Como diferenciar projeções de pesquisas

Pesquisas de intenção de voto procuram medir preferências em determinado período, com entrevistas e uma amostra de eleitores. Já a projeção de apuração trabalha com votos efetivamente registrados, mas ainda não totalizados, e busca estimar o resultado final a partir dos dados disponíveis e de padrões locais.

Essa diferença ajuda a entender por que uma projeção feita durante a noite da votação pode mudar conforme a apuração avança, enquanto uma pesquisa publicada antes do pleito responde a outra pergunta. No caso de Mahlmeister, a utilidade prática foi oferecer uma interpretação antecipada do placar em construção, sem substituir a divulgação oficial do Tribunal Superior Eleitoral.

O episódio também evidencia o papel crescente de métodos quantitativos na cobertura eleitoral. Para o público, o principal cuidado é observar o que está sendo estimado, quais dados sustentam o cálculo e quanto da apuração já foi incorporado. A confirmação final continua dependendo da totalização oficial.

Quer se aprofundar nesta notícia? Leia mais sobre ela abaixo:

  1. https://www.estadao.com.br/tecmundo/stem/como-um-modelo-cientifico-previu-o-resultado-da-eleicao-pesquisador-explica-no-triturando-dados/
  2. https://www.estadao.com.br/politica/eleicoes/modelo-estatistico-usado-pelo-estadao-antecipou-resultado-com-apenas-242-das-urnas-apuradas/
  3. https://noticias.r7.com/entrevista/minha-primeira-reacao-foi-de-desespero-fa-de-carnaval-pesquisador-que-projetou-vitoria-de-lula-com-25-de-urnas-relata-surpresa-27102026/
  4. https://jornal.usp.br/articulistas/kleber-carrilho/pesquisas-medem-o-presente-modelos-tentam-prever-o-futuro-mas-a-incerteza-sempre-existe/