Brusque soma 585 unidades em projetos verticais avaliados em R$ 450 milhões
A carteira da JH Marketing reúne lançamentos previstos até dezembro; a cidade passou de 105,5 mil para 141,4 mil habitantes entre os Censos de 2010 e 2022.
Redação ·
Brusque, no Vale do Itajaí, tem cerca de 585 unidades residenciais em projetos verticais acompanhados pela JH Marketing, com Valor Geral de Vendas (VGV) superior a R$ 450 milhões. A carteira inclui empreendimentos já apresentados ao mercado e outros com lançamentos previstos até dezembro de 2026, segundo informações divulgadas em 5 de novembro.
O VGV é uma estimativa do valor potencial de venda dos imóveis. Não significa que esse montante já tenha sido arrecadado pela empresa ou pelas incorporadoras. A carteira inclui principalmente apartamentos de duas suítes e também lofts, em projetos de padrão médio com acabamentos de nível superior.
Quem pode comprar e quanto custa
Jordan Hang, fundador da JH Marketing, descreve dois públicos principais: investidores — incluindo quem está começando ou quer diversificar o patrimônio — e pessoas que procuram a primeira moradia própria. Como referência para os produtos acompanhados pela empresa, ele cita valores próximos de R$ 9 mil por metro quadrado.
A movimentação acompanha uma mudança demográfica expressiva. Brusque tinha 105.503 moradores no Censo de 2010 e chegou a 141.385 em 2022, segundo o IBGE: quase 36 mil pessoas a mais em 12 anos. A cidade combina indústria, comércio e serviços, fatores que ajudam a explicar a demanda por moradia, embora não determinem, sozinhos, onde novos edifícios devem ser construídos.
Mais prédios exigem mais do que terrenos
O arquiteto e urbanista Marcelius Oliveira de Aguiar, coordenador do curso de Arquitetura e Urbanismo da Unifebe, avalia que a verticalização pode concentrar moradores em áreas preparadas para receber mais gente. Para isso funcionar, porém, a capacidade de água, esgoto, drenagem e transporte precisa acompanhar os empreendimentos. Também entram na conta escolas, unidades de saúde e espaços públicos.
Em Brusque, o Rio Itajaí-Mirim e seus afluentes, além da ocupação de fundos de vale e encostas, tornam o planejamento especialmente ligado às condições do terreno. Aguiar aponta a necessidade de considerar riscos de inundação, enxurrada e movimentos de massa, além de dados geotécnicos e da impermeabilização do solo. Projetos próximos também precisam ser avaliados em conjunto: a demanda acumulada pode pesar sobre um bairro mesmo quando cada obra é analisada separadamente.
A revisão do Plano Diretor municipal, feita em 2024, é apontada pelo urbanista como um avanço. Na avaliação dele, as diretrizes precisam virar ações integradas, que conectem zoneamento e limites de construção a decisões sobre mobilidade, saneamento, saúde, educação e Defesa Civil. A Prefeitura de Brusque foi procurada pela reportagem para comentar o acompanhamento da expansão e as medidas de infraestrutura, mas não respondeu até a publicação.
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