Brasil precisa preparar o SUS para 65 milhões de idosos em 2050
Carlos Gadelha defende revisar prioridades de quatro em quatro anos e conectar pesquisa, produção nacional e serviços de saúde.
Redação ·
O envelhecimento da população coloca uma pergunta prática para o SUS: o que o país precisa desenvolver, produzir e organizar para atender melhor nas próximas décadas? Em artigo publicado nesta quarta-feira, 4 de novembro, Carlos Gadelha, pesquisador da Fiocruz, defende um planejamento contínuo até 2050, com prioridades revistas a cada quatro anos.
A dimensão da mudança aparece nas projeções demográficas do IBGE citadas pelo autor: em 2050, cerca de 65 milhões de brasileiros terão 60 anos ou mais, perto de 30% da população. O avanço da idade média altera as necessidades de saúde e exige que decisões sobre pesquisa, tecnologia e serviços não sejam tomadas apenas para responder a demandas imediatas.
Como escolher o que vem primeiro
Gadelha propõe que cada ciclo de planejamento avalie dois pontos: o peso de cada problema de saúde e a possibilidade de reduzi-lo com medidas disponíveis. A ideia é priorizar questões que afetam muitas pessoas e, ao mesmo tempo, identificar onde uma intervenção pode produzir resultados.
Depois, o plano deveria distinguir três tipos de lacuna. Se faltam tratamentos ou conhecimento, o caminho passa por pesquisa e inovação. Se o país depende de fornecedores externos, entram em cena a produção e a capacidade tecnológica nacionais. E, quando a solução já existe, mas não chega à população com cobertura e qualidade, o desafio está na organização dos serviços.
O autor sugere alinhar esses ciclos ao Plano Plurianual do governo federal e manter objetivos de longo prazo entre diferentes gestões. O primeiro período proposto seria de 2028 a 2031. Trata-se de uma recomendação de Gadelha, não de um calendário já aprovado para o SUS.
Produção nacional e acesso
A discussão se conecta à Estratégia Nacional para o Desenvolvimento do Complexo Econômico-Industrial da Saúde, criada por decreto em 2023. A política busca orientar investimentos em produção e inovação no setor, enquanto o artigo defende que vacinas, medicamentos, diagnósticos e tecnologias críticas sejam avaliados também pelo grau de dependência externa e pela segurança do abastecimento.
A proposta não é produzir tudo no Brasil. O foco, segundo Gadelha, seria desenvolver capacidade local em áreas estratégicas e planejar com antecedência, em vez de tentar ampliar a oferta apenas quando surge uma emergência. Para o leitor, o ponto central é que pesquisa e indústria só ajudam o SUS quando se conectam à chegada efetiva de tratamentos e serviços às pessoas.
Quer se aprofundar nesta notícia? Leia mais sobre ela abaixo:
- https://www.terra.com.br/noticias/saude-em-2050-como-investir-em-ciencia-para-apoiar-o-sus,7c90978241bc2be9febee97ff5d0e951m7xr502m.html
- https://www.ibge.gov.br/estatisticas/sociais/populacao/9109-projecao-da-populacao.html
- https://www.gov.br/planejamento/pt-br/assuntos/planejamento/estrategia-2050-conteudo/Arquivos/eb2050-sintese-executiva-dos-estudos-tematicos-v-abr.pdf/@@display-file/file
- https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2023-2026/2023/decreto/d11715.htm