Brasil põe IPv6 em mais da metade das conexões, segundo métrica do APNIC
O NIC.br relaciona o avanço a ações de capacitação e apoio técnico que começaram há quase duas décadas; o marco foi registrado em 28 de outubro.
Redação ·
O Brasil superou os 60% na métrica de usuários com capacidade de acessar a internet por IPv6 em 28 de outubro, segundo o indicador IPv6Capable do APNIC. O avanço é um sinal de que provedores e redes estão conseguindo migrar para um padrão com espaço de endereçamento muito maior — mas não significa que o IPv4 já possa ser desligado.
A medição do APNIC acompanha a capacidade de conexão por IPv6. Ela não representa a parcela de sites que adotou o protocolo, nem o total de tráfego da internet que passa por ele. Também não equivale à proporção de usuários que acessam exclusivamente por IPv6: durante a transição, as duas versões costumam funcionar em paralelo.
O que o número mede — e o que fica de fora
A marca divulgada pelo NIC.br aparece depois de uma trajetória gradual. Na série do APNIC consultada para o período de 12 a 18 de setembro de 2026, o Brasil estava em 58,07% de IPv6Capable, enquanto a média mundial era de 43,02%. São dados de semanas antes do marco de outubro, então servem como referência de contexto, não como confirmação independente do resultado de 28 de outubro.
O APNIC também acompanha a métrica IPv6Preferred, que indica quando a conexão IPv6 é escolhida em situações em que IPv4 e IPv6 estão disponíveis. No mesmo recorte de setembro, o Brasil registrou 56,98% nessa medida. A diferença entre os indicadores ajuda a entender por que “estar apto” a usar IPv6 não é exatamente o mesmo que encaminhar toda conexão por ele.
Por que a internet precisa de outro protocolo
O IPv4, base da internet desde os primeiros anos da rede, tem um conjunto limitado de endereços. Com mais celulares, computadores, televisores e equipamentos conectados, provedores passaram a compartilhar endereços públicos entre vários clientes usando técnicas como NAT e CGNAT. Isso ajudou a prolongar o uso do IPv4, mas pode tornar mais complexas algumas conexões diretas e a identificação de tráfego em determinadas situações.
O IPv6 amplia muito a quantidade de endereços disponíveis, pois usa identificadores de 128 bits. Na prática, isso oferece mais espaço para conectar dispositivos e organizar redes. Não é, por si só, uma garantia de internet mais rápida ou segura: desempenho e proteção dependem também da infraestrutura, da configuração e das políticas de cada operador.
Uma transição feita ao longo de anos
O Registro.br começou a distribuir blocos IPv6 no país em 2006, e o projeto IPv6.br foi criado pelo NIC.br em 2008 para disseminar conhecimento e apoiar a adoção. As ações incluíram cursos para profissionais de redes, materiais técnicos e iniciativas para testar o protocolo em ambientes reais. A notícia atribui cerca de 11 mil capacitações ao projeto.
Essa preparação importa porque mudar de protocolo não é como atualizar um aplicativo em um único aparelho. Provedores, empresas e órgãos precisam ajustar equipamentos, roteamento, DNS, monitoramento e suporte, além de manter compatibilidade com serviços ainda dependentes de IPv4. O chamado dual-stack — operar as duas versões ao mesmo tempo — permite avançar sem interromper o acesso a redes que ainda não migraram.
O número de 60% marca progresso, não a conclusão da mudança. A continuidade depende de novas implantações e de que equipamentos e serviços usados no cotidiano funcionem corretamente nos dois padrões durante a transição.
Quer se aprofundar nesta notícia? Leia mais sobre ela abaixo:
- https://convergenciadigital.com.br/inovacao/brasil-atinge-marca-de-60-de-usuarios-de-internet-habilitados-com-o-ipv6/
- https://stats.labs.apnic.net/ipv6-zoom
- https://www.google.com/intl/en/ipv6/statistics.html
- https://conference.apnic.net/29/29/program/state-of-ipv6-session/brazilian-ipv6.html
- https://www.nic.br/historia-es/