Do pico epidêmico à vigilância, Balneário Camboriú soma 12 registros de dengue
O município contabilizou 12 casos até setembro de 2026, após 7.106 registros em 2024 e 724 em 2025, enquanto monitora o impacto de diferentes ações de prevenção.
Redação ·
Balneário Camboriú contabilizou 12 casos de dengue entre janeiro e setembro de 2026, um número muito abaixo dos 7.106 registrados durante a epidemia de 2024. A redução é expressiva, mas não deve ser atribuída a uma única iniciativa: a cidade combinou a liberação de mosquitos com Wolbachia a vacinação, vistorias e eliminação de criadouros.
O dado mais recente ajuda a dimensionar a mudança, mas também pede cautela. Em 2025, o município havia registrado 724 casos ao longo do ano. A comparação com 2024 — período de forte circulação da doença — mostra o tamanho da queda, sem provar, por si só, qual parcela se deve a cada medida adotada.
Uma tecnologia que busca reduzir a transmissão
A estratégia de Wolbachia começou em Balneário Camboriú em agosto de 2025. Durante cerca de seis meses, foram realizadas 52 liberações em quatro áreas da cidade. Os mosquitos, chamados de Wolbitos, são exemplares de Aedes aegypti portadores de uma bactéria encontrada naturalmente em outros insetos.
A bactéria dificulta que os vírus da dengue se desenvolvam dentro do mosquito e sejam transmitidos. Quando os Wolbitos se reproduzem com mosquitos locais, a Wolbachia pode passar às gerações seguintes. A ideia, portanto, não é eliminar o inseto, mas reduzir a proporção de mosquitos capazes de espalhar doenças.
A produção dos exemplares usados em Santa Catarina ocorre em Joinville, em uma estrutura ligada à parceria entre o Ministério da Saúde, a Fiocruz e a Wolbito do Brasil. A cidade também abastece ações em outros municípios catarinenses, ampliando a capacidade regional de aplicação do método.
A queda não tem uma causa isolada comprovada
Os resultados de Balneário Camboriú são compatíveis com um cenário de melhora após a implementação da tecnologia, mas a sequência temporal não basta para estabelecer uma relação direta. A quantidade de casos também pode variar conforme a intensidade da circulação viral, as condições ambientais, a imunidade da população e outras ações de prevenção.
Por isso, o balanço local deve ser interpretado como um conjunto de indicadores, não como uma prova de que a Wolbachia sozinha produziu a redução. A avaliação científica final do efeito no município depende de acompanhamento ao longo do tempo, incluindo a presença da bactéria nos mosquitos e a evolução dos casos nas áreas atendidas.
O trabalho de campo continua necessário
A prefeitura mantém agentes em vistorias para localizar recipientes com água parada e orientar moradores. Terrenos com risco de se tornarem focos podem receber fiscalização e medidas de limpeza. Em regiões com casos confirmados, o município também pode recorrer à aplicação de inseticida, uma ação pontual que não substitui a retirada dos criadouros.
Esse trabalho cotidiano importa porque a tecnologia não impede que surjam novos focos nem elimina a necessidade de cuidados dentro das casas. Calhas, caixas-d’água, vasos e objetos expostos à chuva seguem entre os pontos que precisam de atenção.
Vacinação complementa a prevenção
A vacinação com Qdenga é outra frente do município, voltada a crianças e adolescentes de 10 a 16 anos. Mais de 3 mil integrantes desse público haviam recebido a primeira dose, e aproximadamente 1.357 completaram o esquema com a segunda, segundo os números divulgados na reportagem de origem.
A vacina reduz o risco de adoecimento e de quadros graves, mas não substitui o controle do mosquito. Para os moradores, a principal conclusão é que a queda dos registros reflete uma combinação de medidas e precisa ser sustentada com vigilância: o acompanhamento dos próximos períodos de transmissão ajudará a mostrar se o avanço se mantém.
Quer se aprofundar nesta notícia? Leia mais sobre ela abaixo:
- https://www.gazetadopovo.com.br/santa-catarina/balneario-camboriu-derruba-casos-de-dengue-com-uso-de-mosquitos-aliados/
- https://www.bc.sc.gov.br/imprensa_detalhe.cfm?codigo=39723
- https://www.joinville.sc.gov.br/noticias/metodo-wolbachia-avanca-em-santa-catarina-e-joinville-se-destaca-como-referencia-na-aplicacao-da-tecnologia-de-prevencao-a-dengue/
- https://www.gov.br/anvisa/pt-br/centraisdeconteudo/publicacoes/sistema-nacional-de-vigilancia-sanitaria/informes-de-monitoramento-de-emergencias/informe-ndeg-158-se-35.pdf