Sinal de celular via satélite ganha caminho regulatório com AST SpaceMobile
A autorização da Anatel inclui 30 MHz na banda S e 20 MHz adicionais em 700 MHz para uso complementar.
Redação ·
A conexão via satélite em celulares comuns avançou uma etapa no Brasil. Em 28 de outubro, a Anatel autorizou a AST SpaceMobile a usar frequências para desenvolver o serviço direct-to-device (D2D), que liga satélites diretamente a smartphones. A decisão abre caminho para testes e para a integração com operadoras parceiras, mas não significa que o serviço já esteja disponível em todo o país.
O que muda com a autorização
A AST poderá utilizar 30 MHz na banda S, divididos em dois blocos de 15 MHz, e outros 20 MHz em 700 MHz, organizados em blocos de 10 MHz. A faixa de 700 MHz será usada de forma secundária e complementar, associada às frequências das empresas móveis parceiras. Isso é diferente de receber uma licença exclusiva para operar essa faixa em todo o território nacional.
A combinação permite testar a comunicação entre satélites e aparelhos móveis sem que o usuário precise instalar uma antena ou comprar um terminal específico. A ideia é que o satélite funcione como uma estação de celular no espaço, aproveitando o telefone e a rede das operadoras. Na prática, a disponibilidade dependerá da cobertura do satélite, da compatibilidade do aparelho, das condições técnicas e da capacidade de rede.
As operadoras entram na conta
A autorização se soma ao acordo comercial que a AST firmou em 23 de outubro com iez!, Brisanet e Unifique. As três operadoras regionais têm frequências em 700 MHz obtidas em leilão da Anatel e devem participar da conexão do serviço com suas redes e clientes. A AST também confirmou a entrada do Consórcio Amazônia 5G, ligado à Unifique.
Esse arranjo combina a infraestrutura orbital da AST com as licenças e a presença local das operadoras. A proposta é atender também lugares onde erguer e manter torres é difícil ou caro. Isso não quer dizer que todas as áreas atendidas por essas empresas terão cobertura via satélite desde o início: a implantação depende de capacidade disponível e de etapas técnicas e regulatórias.
Do anúncio ao serviço, ainda há etapas
A previsão divulgada para os testes é começar em novembro e mantê-los por dois anos. Antes de qualquer oferta ampla, as empresas precisam integrar sistemas, confirmar as condições de operação e avaliar como o sinal se comporta junto às redes terrestres. A autorização em caráter secundário também exige coordenação para evitar interferência com serviços que têm prioridade na faixa.
A tecnologia pode ajudar a preencher lacunas de conectividade, mas ainda faltam dados públicos que permitam comparar seu desempenho com o de uma rede terrestre: velocidade, número de usuários simultâneos e cobertura efetiva não foram detalhados nas informações consultadas. Por isso, a promessa de alcançar áreas sem sinal deve ser entendida como objetivo de implantação, não como garantia de cobertura imediata.
Por que o modelo é experimental
A Anatel vem avaliando serviços de conexão direta entre satélites e celulares em ambiente regulatório de testes. Esse formato permite observar questões como interferência, qualidade e convivência entre frequências antes de definir regras permanentes. Para o consumidor, a decisão é um passo importante, mas o ganho concreto dependerá do início dos testes, dos aparelhos compatíveis e dos planos que as operadoras venham a oferecer.
Quer se aprofundar nesta notícia? Leia mais sobre ela abaixo:
- https://www.mobiletime.com.br/noticias/28/10/2026/ast-anatel-aprovacao-d2d/
- https://teletime.com.br/28/10/2026/ast-spacemobile-firma-acordo-com-amazonia-5g-e-quer-infraestrutura-terrestre-no-brasil/
- https://www.mobiletime.com.br/noticias/23/10/2026/d2d-ast-regionais/
- https://bpmoney.com.br/inovacao/tecnologia/brisanet-ast-spacemobile-internet-via-satelite-celular/