Assembleia em Seul amplia agenda da CBCK com diretrizes contra violência sexual

Assembleia em Seul amplia agenda da CBCK com diretrizes contra violência sexual

A Conferência dos Bispos Católicos da Coreia aprovou as medidas em 21 de outubro e escolheu Agostinho Kim Jong-su para presidir a entidade por três anos.

Redação ·

A Conferência dos Bispos Católicos da Coreia (CBCK) aprovou diretrizes sobre violência sexual durante sua assembleia plenária em Seul, encerrada em 21 de outubro. O anúncio foi divulgado no dia seguinte. A reunião também elegeu o bispo Agostinho Kim Jong-su, de Daejeon, para presidir a entidade por um mandato de três anos.

A decisão coloca a prevenção e a resposta a abusos entre as pautas institucionais da Igreja sul-coreana. Mas há uma lacuna importante: as informações públicas consultadas não detalham o texto das diretrizes nem permitem afirmar quais procedimentos concretos elas determinam para denúncias, investigações ou responsabilização.

O que foi decidido — e o que ainda não se sabe

A aprovação foi realizada pelos bispos reunidos em assembleia. Kim Jong-su, de 70 anos, presidia o comitê especial que elaborou as orientações e foi escolhido para liderar a conferência episcopal. A coincidência entre a função no comitê e a nova presidência dá à decisão continuidade dentro da estrutura da CBCK, embora não esclareça como as regras serão implementadas nas dioceses.

A cobertura disponível descreve a medida como diretrizes para enfrentar a violência sexual na Igreja, mas não publica suas cláusulas. Assim, não há base para dizer se estabelecem canais de denúncia uniformes, prazos de apuração, medidas preventivas ou protocolos de comunicação às autoridades civis. A diferença entre aprovar orientações e demonstrar sua aplicação será central para avaliar o alcance da iniciativa.

Um tema que já estava na agenda dos bispos

A decisão retoma esforços institucionais anteriores. Em 2018, a CBCK anunciou a criação de um comitê especial para estudar e prevenir violência sexual e informou que seriam estabelecidos canais diocesanos para receber denúncias de condutas impróprias. A iniciativa ocorreu após acusações contra um padre ligado à Diocese de Suwon por uma tentativa de estupro durante uma missão voluntária no Sudão do Sul, em 2011.

Esse antecedente mostra que a discussão sobre mecanismos de proteção não começou agora. As novas diretrizes podem representar uma atualização ou consolidação do trabalho, mas, sem o documento integral, não é possível comparar as regras atuais com os instrumentos anunciados anteriormente nem concluir que os canais já operem de maneira uniforme.

O contexto mais amplo dos abusos

Dados divulgados em 2026 pela imprensa sul-coreana e reproduzidos pela AFP indicaram que 458 integrantes do clero foram detidos pela polícia por crimes sexuais entre 2020 e 2024. A cifra abrange religiosos de diferentes denominações, não apenas membros da Igreja Católica; portanto, não deve ser lida como uma contagem de casos dentro da CBCK. Segundo a mesma reportagem, 450 ocorrências envolveram estupro ou atos sexuais forçados.

Os números ajudam a dimensionar o problema social, mas não medem a eficácia de uma política específica nem esclarecem quantos casos ocorreram em cada instituição. Para as comunidades religiosas, a resposta depende tanto de normas internas claras quanto de proteção a quem denuncia e cooperação com as autoridades competentes.

A implementação será o próximo teste

A aprovação, por si só, não permite saber como as orientações serão aplicadas, fiscalizadas ou comunicadas a fiéis e funcionários. A divulgação do texto completo e de informações sobre sua execução ajudaria a esclarecer esses pontos. Também será importante verificar se as dioceses terão procedimentos acessíveis e consistentes, sem substituir a investigação civil quando houver suspeita de crime.

Para vítimas e comunidades, a relevância da decisão dependerá da passagem do compromisso institucional para práticas verificáveis. Sem detalhes públicos sobre as regras, o anúncio marca um passo na agenda da CBCK, mas ainda não permite medir seus efeitos concretos.

Quer se aprofundar nesta notícia? Leia mais sobre ela abaixo:

  1. https://www.gazetadopovo.com.br/mundo/igreja-catolica-sul-coreana-estabelece-regras-rigidas-contra-abusos-sexuais/
  2. https://www.catholicworldreport.com/2026/10/24/korean-bishops-elect-new-president-approve-guidelines-on-sexual-violence/
  3. https://www.afpbb.com/articles/-/3624902
  4. https://en.yna.co.kr/view/AEN20180309007800315