Apple tira 19 ferramentas do ar após apuração sobre imagens íntimas falsas
A investigação da WIRED encontrou mais de 400 aplicativos e sites conectados, alguns disfarçados de editores de fotos de pets e serviços de idiomas.
Redação ·
A Apple retirou 19 aplicativos ligados à criação de imagens íntimas falsas depois que uma investigação da WIRED revelou uma rede de mais de 400 apps e sites com funções de deepfake escondidas. O levantamento, divulgado em 2 de novembro, foi feito com participação de pesquisadores da organização AI Forensics e também identificou programas distribuídos pela Google Play.
Os serviços apareciam como ferramentas comuns, por exemplo, editores de fotos de animais e aplicativos de idiomas ou exercícios. Mas, em certas condições, podiam se conectar a servidores externos e carregar funções que permitiam criar imagens e vídeos explícitos de pessoas reais sem consentimento.
Como os recursos ficavam escondidos
A estratégia não dependia necessariamente de exibir a função problemática na primeira tela. Segundo a investigação, o conteúdo entregue podia variar conforme informações enviadas a um servidor remoto. Assim, um aplicativo podia parecer convencional durante a análise da loja e apresentar outra interface depois de instalado ou em determinadas circunstâncias.
A rede também usava anúncios para levar usuários aos aplicativos. O conjunto de mais de 400 identificado pelos pesquisadores inclui apps e sites conectados; não significa que todos estivessem disponíveis ao mesmo tempo nas duas lojas.
O que disseram as lojas
A Apple afirmou que os aplicativos cumpriam suas regras quando foram aprovados e atribuiu a mudança posterior à alteração dos sites de onde os programas obtinham conteúdo. A empresa removeu 19 apps após receber informações sobre a rede. O Google informou que os aplicativos mencionados já tinham sido retirados da Play Store antes de a WIRED pedir um comentário.
O caso mostra um limite prático da fiscalização: revisar o que um app faz no momento da aprovação pode não bastar quando seus recursos mudam depois, por meio de servidores externos. Para quem usa lojas oficiais, a presença de um aplicativo nelas não elimina o risco de que o serviço mude ou seja usado para produzir conteúdo abusivo.
Quer se aprofundar nesta notícia? Leia mais sobre ela abaixo:
- https://www.estadao.com.br/tecmundo/inteligencia-artificial/mais-de-400-aplicativos-disfarcados-escondem-geradores-de-deepfake-na-app-store-e-na-play-store/
- https://www.wired.com/story/hundreds-of-mundane-ai-apps-are-hiding-abusive-deepfake-features/
- https://www.androidauthority.com/nudify-apps-apple-google-stores-3731011/
- https://www.uol.com.br/tilt/noticias/redacao/2026/11/03/apps-comuns-escondem-deepfakes-sexuais-com-cenas-de-estupro.htm
- https://9to5mac.com/2026/11/02/ai-apps-with-hidden-sexual-and-violent-deepfake-features-made-it-into-the-app-store/