André Lara Resende coloca conselho monetário no centro do debate sobre juros

André Lara Resende coloca conselho monetário no centro do debate sobre juros

A ideia prevê metas fiscais e monetárias conjuntas e uma redução gradual da Selic; o Ministério da Fazenda diz que a proposta não está em avaliação.

Redação ·

A criação de um conselho para coordenar decisões fiscais e monetárias entrou no debate econômico brasileiro nos dias 2 e 3 de novembro, depois de uma proposta do economista André Lara Resende. A ideia prevê reduzir gradualmente a Selic e estabelecer metas conjuntas para os gastos públicos e a política de juros — mas o Ministério da Fazenda afirma que não está estudando adotá-la.

O que mudaria na política de juros

A proposta de Lara Resende é criar o Conselho Fiscal e Monetário Nacional, responsável por definir objetivos de médio prazo para as duas áreas. Reportagens sobre o plano descrevem uma trajetória de redução da Selic, hoje em 13,75% ao ano, até cerca de 7,5% em 12 meses. Depois, a taxa ficaria dentro de uma faixa vinculada à meta de inflação e ao crescimento potencial da economia.

Na prática, a iniciativa mudaria a forma de coordenar decisões que hoje passam por órgãos e regras diferentes. Os detalhes sobre a composição e as atribuições formais do conselho, porém, não estão definidos nas informações públicas consultadas. Por isso, a proposta não deve ser confundida com uma decisão já tomada pelo governo ou pelo Banco Central.

A ideia tem apoio dentro do governo?

José Sérgio Gabrielli, que coordenou o programa de governo da campanha de Lula, apoiou publicamente a proposta em 2 de novembro. Já o presidente nacional do PT, Edinho Silva, disse no dia seguinte que o tema não havia sido discutido pelo partido nem com Lula.

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, também afirmou que a proposta não estava em avaliação pela equipe econômica. Ele defendeu um ajuste fiscal gradual. Assim, até 3 de novembro, o plano seguia como uma proposta em debate, sem anúncio de que seria incorporado à política oficial.

A discussão ocorre enquanto o mercado acompanha as contas públicas e os próximos passos da taxa básica. Uma pesquisa divulgada pela Reuters em 2 de novembro apontou expectativa de que o Banco Central mantivesse a Selic em 13,75% na reunião seguinte, para avaliar o cenário econômico após a eleição. Isso é uma previsão de analistas ouvidos pela agência, não uma decisão antecipada do Copom.

Quer se aprofundar nesta notícia? Leia mais sobre ela abaixo:

  1. https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/luis-ernesto-lacombe/lula-inflacao-juros-corte-gastos/
  2. https://economia.uol.com.br/colunas/jessica-sant-ana/2026/11/02/artigo-de-lara-resende-lula-4-ruido-fiscal.htm
  3. https://www.sbtnews.com.br/colunas/coluna-do-iander/gabrielli-endossa-ideia-de-lara-resende-sobre-taxa-de-juros
  4. https://www.poder360.com.br/poder-economia/corte-dos-juros-proposto-por-lara-resende-nao-foi-debatido-no-pt/
  5. https://www.reuters.com/pt/negocio/O6KTPXHYXJPYFFPWMAWI6GNJQI-2026-11-02/