Ação federal pressiona campanha de Mary Peltola na disputa do Alasca
O Departamento de Justiça dos EUA entrou com processo em 23 de outubro para barrar a certificação da eleição enquanto Dan J. Sullivan permanecer na cédula.
Redação ·
A disputa pelo Senado dos Estados Unidos no Alasca ganhou uma frente judicial a poucos dias da eleição marcada para 3 de novembro. O Departamento de Justiça processou o estado para tentar impedir a certificação do resultado enquanto Dan J. Sullivan, candidato independente com nome igual ao do senador republicano Dan S. Sullivan, continuar na cédula. A iniciativa se soma a uma nova reportagem sobre possíveis contatos entre pessoas ligadas à campanha democrata de Mary Peltola e o candidato homônimo — uma acusação que ainda não foi comprovada em decisão judicial.
O que a ação federal questiona
Protocolada em 23 de outubro, a ação sustenta que a candidatura de Dan J. Sullivan poderia confundir eleitores e tirar votos do senador republicano. O governo federal pediu que o Alasca não certificasse a eleição para o Senado enquanto o nome do candidato independente permanecesse na disputa. O processo transforma uma controvérsia de campanha em uma questão sobre a administração da eleição, mas não equivale a uma conclusão de que houve fraude.
O ponto sensível é a semelhança entre os nomes na cédula. Dan S. Sullivan é o senador republicano que busca a reeleição; Dan J. Sullivan concorre como independente. A hipótese apresentada pelos críticos é que parte dos eleitores poderia escolher o candidato errado ou dividir votos entre os dois. Até aqui, isso é uma alegação sobre possível efeito eleitoral, não uma demonstração de que votos tenham sido desviados em escala decisiva.
As acusações contra a campanha democrata
Uma reportagem publicada nesta semana atribuiu a pessoas ligadas à campanha de Peltola a iniciativa de ajudar a colocar o homônimo na disputa. O relato se apoia em declarações de Elisa Rios, ex-gerente de campanha e assessora da candidata, que deixou a equipe em agosto. Rios afirmou que Peltola sabia do plano, mas essa afirmação é o relato de uma ex-integrante da campanha, não uma comprovação definitiva de participação pessoal da candidata.
A organização Alaskans for Mary negou ter recrutado candidatos ou estar envolvida nas campanhas dos dois Dan Sullivans. Peltola também está no centro da disputa como candidata democrata ao Senado. Por isso, é importante separar os fatos confirmados — dois candidatos com nomes muito parecidos e uma ação federal — das acusações sobre quem teria articulado a candidatura e com qual intenção.
Por que a eleição ganhou peso nacional
O resultado no Alasca pode influenciar o equilíbrio de forças no Senado americano, o que ajuda a explicar a atenção de lideranças nacionais e da imprensa à controvérsia. Donald Trump pediu que Peltola e o candidato homônimo fossem retirados da cédula após a divulgação das acusações. A reação política, porém, não resolve a disputa jurídica nem substitui provas sobre a origem da candidatura.
O caso também expõe uma tensão prática: autoridades eleitorais precisam aplicar as regras da disputa sem tratar como fato uma intenção que ainda está sendo contestada. A decisão sobre a ação e a votação de 3 de novembro podem definir os próximos passos, mas, até o momento, não há base para dizer que uma fraude foi judicialmente comprovada ou que a responsabilidade direta de Peltola foi estabelecida.
Quer se aprofundar nesta notícia? Leia mais sobre ela abaixo:
- https://www.gazetadopovo.com.br/ideias/deputada-democrata-leva-xara-do-adversario-a-urna-para-confundir-eleitores/
- https://www.afp.com/en/trump-demands-alaska-democrat-ballot-after-ny-times-report
- https://english.elpais.com/usa/2026-10-29/a-federal-lawsuit-two-dan-sullivans-and-an-unconventional-democrat-the-crucial-senate-battle-in-alaska.html?ref=upstract.com
- https://thehill.com/homenews/campaign/5986910-alaska-senate-dan-sullivan-same-name/