Liberdade religiosa vira tema de campanha para Abdul El-Sayed em Michigan
Um anúncio sobre oração reacendeu o debate após a resposta de Kelsey Reinhardt, da CatholicVote, à comparação entre sharia e direito canônico.
Redação ·
Um anúncio eleitoral sobre oração trouxe de volta uma controvérsia religiosa à campanha de Abdul El-Sayed ao Senado por Michigan. Em 30 de outubro, na reta final da disputa nos Estados Unidos, Kelsey Reinhardt, presidente e diretora-executiva da CatholicVote, respondeu à peça do candidato democrata: reconheceu o direito de El-Sayed praticar sua fé, mas criticou a comparação entre a sharia e o direito canônico católico.
O episódio mistura dois debates que costumam se cruzar na política americana: liberdade religiosa e o papel que normas religiosas podem ter na vida pública. A declaração de El-Sayed que originou a discussão, porém, não foi feita agora. Ela ocorreu em agosto, durante uma entrevista ao apresentador Jesse Watters, da Fox News.
O que Reinhardt contestou
No anúncio chamado “Oração”, El-Sayed diz que reza diariamente como muçulmano. Reinhardt afirmou que a liberdade de viver a fé deve valer para ele também, mas questionou a analogia que o candidato havia traçado entre a sharia e o Código de Direito Canônico da Igreja Católica.
A distinção que ela apresenta é de alcance. O direito canônico organiza a vida interna da Igreja: trata de sacramentos, dioceses e disciplina do clero. Não se propõe a ser um código penal nacional nem a reger a população de um país. Já a sharia reúne princípios e interpretações jurídicas islâmicas que, dependendo da tradição e da forma como são aplicadas, podem envolver temas civis e públicos além da prática religiosa individual.
Isso não significa que exista uma única aplicação da sharia em todos os países ou entre todos os muçulmanos. As interpretações variam, e sua relação com a legislação estatal depende dos sistemas políticos e jurídicos locais. Também é importante separar a prática pessoal da religião de um projeto de impor regras religiosas a pessoas que não as seguem.
Uma discussão que voltou à campanha
Na entrevista de agosto, El-Sayed defendeu que ninguém deveria impor a sharia a outras pessoas, assim como, segundo ele, ninguém deveria impor o direito canônico. A fala gerou críticas de comentaristas conservadores e de setores católicos, que consideraram a comparação imprecisa por causa das diferenças entre os sistemas.
A resposta de Reinhardt, agora ligada ao anúncio de campanha, retoma esse embate sem apagar a distinção entre liberdade de culto e equivalência jurídica. É possível defender que católicos e muçulmanos tenham liberdade para praticar sua fé e, ao mesmo tempo, discutir se os sistemas religiosos comparados têm escopo semelhante. São questões relacionadas, mas não idênticas.
O que está em jogo para o eleitor
A controvérsia também funciona como teste de comunicação para uma campanha em que identidade religiosa e posições políticas se tornam parte do debate público. Para El-Sayed, a peça coloca em evidência sua prática religiosa; para seus críticos, o histórico de declarações sobre sharia continua sendo um tema a cobrar do candidato.
Até aqui, o episódio descrito é uma troca pública de argumentos, não uma decisão judicial ou uma mudança nas leis de Michigan. O ponto concreto é a disputa sobre como falar de liberdade religiosa sem tratar como iguais tradições jurídicas com histórias, instituições e alcances diferentes. O eleitor pode avaliar as afirmações do candidato e de seus críticos, mas vale manter em vista que a declaração original é de agosto e que a reação mais recente veio após o anúncio eleitoral.
Quer se aprofundar nesta notícia? Leia mais sobre ela abaixo:
- https://www.gazetadopovo.com.br/mundo/candidato-muculmano-ao-senado-dos-eua-compara-lei-canonica-catolica-com-sharia/
- https://www.catholicworldreport.com/2026/08/26/muslim-senate-candidate-faces-backlash-for-comparing-sharia-law-to-canon-law/
- https://www.catholicworldreport.com/2026/10/15/u-s-midterm-elections-spark-multiple-catholic-voting-exhortations-2/