546 mil benefícios por transtornos mentais no Brasil desafiam gestão, diz CEO da Vittude

546 mil benefícios por transtornos mentais no Brasil desafiam gestão, diz CEO da Vittude

Tatiana Pimenta relaciona o cuidado contínuo nas empresas a fatores como absenteísmo, produtividade e rotatividade; a Previdência registrou alta de 15,66% em 2025.

Redação ·

Mais de meio milhão de benefícios por incapacidade temporária ligados a transtornos mentais foram concedidos no Brasil em 2025. Para Tatiana Pimenta, fundadora e CEO da Vittude, esse dado ajuda a mostrar por que o tema precisa entrar no planejamento das empresas — e não ficar restrito a ações pontuais de Recursos Humanos. Ela falou sobre o assunto em Curitiba, durante o 19º Congresso Paranaense de Recursos Humanos (CONPARH 2026).

O total foi de 546.254 benefícios, alta de 15,66% em relação a 2024, segundo o Ministério da Previdência Social. A estatística reúne concessões por incapacidade temporária associadas a transtornos mentais e comportamentais. Ela não informa, por si só, quantos casos foram causados pelo trabalho: o dado retrata benefícios previdenciários, não a origem de cada adoecimento.

O impacto não aparece só nos afastamentos

Afastamentos são uma parte visível do problema. Pimenta chama atenção também para o presenteísmo: quando a pessoa segue trabalhando, mas enfrenta dificuldades que reduzem sua concentração ou capacidade de realizar as tarefas. A perda pode ficar diluída no dia a dia, sem aparecer claramente nos indicadores financeiros da organização.

Há outros sinais que as empresas podem acompanhar, como faltas, rotatividade, uso do plano de saúde e tempo para repor profissionais. A CEO da Vittude defende que esses dados sejam analisados em conjunto para dimensionar onde estão as dificuldades e orientar medidas proporcionais, em vez de depender de campanhas isoladas.

A organização do trabalho também entra nessa conta. Sobrecarga, baixa autonomia, cobranças desproporcionais, falta de reconhecimento e assédio estão entre os fatores que podem contribuir para o sofrimento psicológico. Isso não quer dizer que todo transtorno tenha origem profissional; significa que as condições de trabalho são uma parte que as empresas podem avaliar e, quando necessário, mudar.

O que muda com a NR-1

As regras de gerenciamento de riscos ocupacionais da NR-1 passaram a incluir a avaliação de fatores psicossociais ligados ao trabalho. Na prática, a gestão deve olhar também para riscos associados à forma como as tarefas e as relações profissionais são organizadas, identificar problemas e planejar medidas de prevenção e controle.

Pimenta avalia que registrar os riscos é um passo para conseguir agir sobre eles. A implementação, porém, não se resume a reconhecer casos individuais: envolve examinar condições de trabalho e preparar lideranças. Gestores e equipes de RH também podem enfrentar sobrecarga e precisam estar incluídos nas iniciativas de cuidado.

Da palestra ao acompanhamento contínuo

Uma ação única, como uma palestra anual, não substitui um programa integrado à rotina. A recomendação apresentada por Pimenta é começar pelos indicadores disponíveis, escolher prioridades e acompanhar se as medidas adotadas produzem mudanças. Entre as possibilidades estão formação de lideranças, canais de apoio e atendimento psicológico, conforme as necessidades identificadas.

A Vittude citou o Grupo Boticário como exemplo de iniciativa mantida ao longo do tempo: segundo Pimenta, a companhia paranaense desenvolve ações de saúde mental corporativa desde 2012. A ideia central é tratar o cuidado como parte da gestão cotidiana. Para as empresas, os afastamentos são apenas um dos sinais; entender o que acontece antes deles pode ajudar a preservar tanto as pessoas quanto a capacidade de trabalho das equipes.

Quer se aprofundar nesta notícia? Leia mais sobre ela abaixo:

  1. https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/parana-sa/saude-mental-empresas-custos-produtividade-nr1/
  2. https://www.gov.br/previdencia/pt-br/noticias/2026/janeiro/previdencia-social-concede-546-254-beneficios-por-incapacidade-temporaria-por-transtornos-mentais-e-comportamentais
  3. https://www.dgabc.com.br/Noticia/4348073/alta-dos-afastamentos-por-transtornos-mentais-reforca-a-discussao-sobre-prevencao-e-direitos