130 países cobram fim do embargo dos EUA a Cuba, mas decisão não obriga Washington
A Assembleia Geral aprovou a resolução pela 34ª vez desde 1992, com 130 votos favoráveis, 17 contrários e 25 abstenções.
Redação ·
A Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) aprovou nesta quarta-feira, 28 de outubro, uma resolução que pede o fim do embargo econômico dos Estados Unidos a Cuba. O texto recebeu 130 votos favoráveis, 17 contrários e 25 abstenções. Mesmo com a aprovação, o resultado representa uma queda expressiva no apoio em relação à votação do ano passado — e não altera, por si só, as sanções americanas.
O que mudou na votação
Em 2025, a resolução teve 165 votos a favor, sete contra e 12 abstenções. Neste ano, portanto, o total de votos favoráveis caiu em 35, enquanto aumentaram tanto os votos contrários quanto as abstenções. A mudança mostra uma Assembleia mais dividida sobre o tema, embora a maioria ainda tenha apoiado o pedido cubano.
A diferença entre os resultados não significa necessariamente que 35 países tenham passado a rejeitar a resolução. Parte dos governos pode ter mudado o voto favorável para abstenção ou voto contrário, e a comparação também depende de quem participou de cada sessão. Alemanha, Itália e Letônia estão entre os países que, segundo a cobertura internacional, se abstiveram após anos de apoio ao texto.
A pressão diplomática de Washington
A votação ocorreu depois de uma campanha do governo de Donald Trump para convencer outros países a mudar de posição. Washington argumenta que o governo cubano usa as sanções como explicação para a crise da ilha e defende que a situação econômica também está ligada às escolhas políticas e econômicas de Havana.
A ofensiva diplomática parece ter contribuído para um resultado menos favorável a Cuba, mas não explica sozinha cada voto. Não há uma lista pública completa que permita atribuir individualmente as mudanças à pressão dos Estados Unidos. O dado concreto é o aumento das delegações que votaram contra ou preferiram não apoiar nenhum dos lados.
Brasil mantém voto favorável
O Brasil apoiou a resolução. Durante o debate, o embaixador brasileiro Sérgio Danese criticou os efeitos das sanções sobre a economia e a assistência humanitária. Ele mencionou dificuldades para fazer chegar alimentos e outros itens à população cubana e contestou a inclusão de Cuba na lista americana de países patrocinadores do terrorismo.
A posição brasileira contrasta com a de alguns governos da região que votaram contra o texto, conforme o relato da votação. O apoio do Brasil também segue a linha adotada desde 2023, quando o país voltou a votar a favor depois de ter apoiado a resolução em anos anteriores e se abstido em 2021 e 2022.
O que a resolução pode mudar
O documento é apresentado anualmente desde 1992 e foi aprovado pela 34ª vez. Ele expressa a posição política da maioria dos países, mas não é obrigatório: a Assembleia Geral não pode, por essa votação, revogar leis dos Estados Unidos nem determinar o fim das sanções. Qualquer mudança na política americana depende de decisões do próprio governo e do Congresso do país.
Na prática, a votação mantém o embargo no centro do debate internacional, mas a queda do apoio reduz a distância entre Washington e os países que tradicionalmente condenam as medidas. Para os cubanos, o resultado não muda imediatamente as regras que afetam comércio e relações financeiras. O próximo sinal a observar será se os governos que se afastaram do texto mantêm essa posição em futuras votações ou se a divisão deste ano foi pontual.
Quer se aprofundar nesta notícia? Leia mais sobre ela abaixo: